sexta-feira, 25 de maio de 2018

História de Dona Carmelita Rocha.

Maria Carmelita Rocha, que nasceu em 09 de julho de 1913, na Fazenda São Miguel, na entrada da Serra das Três Cabeças em Caieira, hoje Almino Afonso-RN. Naquele tempo não dava para imaginar ela se formando professora, visto a dificuldade de chegar a um centro de formação. Seus pais logo entenderam que precisavam fazer o sacrifício de mandar a pequena Maria estudar em Mossoró. Lá viajou ela com sua avó mãe Guida, três dias a cavalo pernoitando em casas de conhecidos, onde alternavam os cavalos cansados. Não havia telefone, trem, carro ou ônibus. Seus pais João Morais e Sebastiana ficaram chorando sua ausência, aos quais poderia rever uma vez por ano, por ocasião das férias quando vinha no carro do tio comerciante Raimundo Leão, onde estava hospedada. Estudou e se formou no Colégio União Caixeiral Mossoró-RN. Carmelita Rocha iniciou a sua carreira docente no município de Almino Afonso em 1933. Seus alunos daquela época, a recordam como sendo a melhor das professoras, onde muitos deles são bem sucedidos por este Brasil afora, falam dela com admiração e amor. Seu esposo Oliveira Rocha dizia que foi a pessoa mais culta com quem já conviveu, onde a chamava de Enciclopédia. Dona Carmelita Rocha sempre foi de uma postura ímpar, nunca se ouviu falar que saiu de sua boca um palavrão ou uma ofensa a quem quer que seja.
No ano de 1935 veio lecionar em Patu, como primeira professora formada, no Grupo Escolar João Godeiro onde foi professora e diretora em vários mandatos. Ela também administrou uma creche “Casulo” em Patu durante muitos anos sempre com muito amor e dedicação.
No ano de 1935 Carmelita Rocha casou-se com Joaquim de Oliveira Rocha, que era viúvo de Dona Helena Fernandes com a qual teve quatro filhos: Hildo, Antônio, Francisco e Deusdeth Rocha, onde cuidou deles como se fossem seus. Ela mesma ainda teve onze filhos: Joaquim, Olimar, Otoni, Oliveth, Maria Lúcia, Maria da Salete, Maria Helena, João Bosco, Zilar, Pedro e Miriam Tereza. Seus ensinamentos sempre estavam voltados para o bem e para o saber. Cultura para ela era o bem maior, pois dizia que com cultura se consegue tudo. Ela sempre dizia que tinha que aprender de tudo, desde cozinhar, se apresentar em público com elegância, saber entrar e sair em qualquer lugar. Nunca deixou de ser a professora Carmelita Rocha, nunca sendo chamada de Dona Carmelita de Seu Oliveira Rocha, tendo assim a sua própria identidade. Irradiava sua luz diante de todos e nunca foi sombra. Certa ocasião em que foi entrevistada no Programa do Fantástico da Rede Globo de Televisão, quando o repórter lhe perguntou: “o que pensa uma mulher de um coronel do Nordeste ?” Ela respondeu: “Foi tudo muito bom, mas não gosto de ver ninguém ser subjugado a alguém”.
Por muitos anos foi a secretária da Associação do Apostolado da Oração. Redigia as atas das reuniões mensais, com muito esmero e letra bonita. Tenho certeza de que quem fez e faz o Apostolado da Oração, entre tantas, sua afilhada Nadir Godeiro, tem o maior carinho por ela. Sempre gostou de participar em tudo na igreja. Por isso ela e Oliveira Rocha doaram para a Igreja de Nossa Senhora das Dores, a casa em que nascemos e que hoje é o salão paroquial. Na sua velhice, mesmo não podendo frequentar a Matriz de Nossa Senhora das Dores ela sempre acompanhava as missas e programas religiosas transmitidos, na época, pela Rádio Serrana FM onde a mesma era ouvinte assídua.
Dona Carmelita Rocha na sua vida cotidiana usava um jeito especial de aconselhar os filhos, onde dizia: “se eu fosse você, faria assim...” Nesses conselhos transbordando de firmeza mais completa de amor, os filhos obedeciam e seguiam os seus conselhos. Ela também pronunciava importantes frases: “Cuidado com as pessoas que sempre lhe adulam. Elas são como sepulcros caiados, bonitas por fora, mas podres por dentro”. “Agente só conhece um amigo, quando come um saco de sal junto com ele”.
Dona Carmelita Rocha gostava muito de poesias, inclusive de decorar recitar algumas de có. Escrevia pequenos poemas, alguns dos mais especiais escritos após a morte do seu esposo Oliveira Rocha, em 09 de agosto de 1982 intitulado: “o poema daquele dia triste” e outro intitulado “tudo vazio, tudo triste”. Entre os seus escritos também se encontram crônicas, tudo reunido em um diário que ela dedicou-se a escrever durante alguns anos.
Durante a sua existência, principalmente na sua velhice, algumas pessoas cuidaram muito bem dela onde podemos citar: Dra. Fátima, Maria Dutra, Maria das Graças vulgo “Cacata” e Juarez Veras que por muito tempo foi seu motorista.
Dona Carmelita Rocha faleceu no dia 25 de abril de 2012 aos 98 anos de idade deixando um legado de amor, de educadora, alfabetizadora e grande admiradora da literatura que ficaram registrados na memória de muitos patuenses que foram seus alunos, colegas de trabalho, contemporâneos e admiradores de alguém que acreditava no potencial transformador da educação e fazia sua parte para que isso de fato acontecesse.
Hoje Dona Carmelita Rocha é imortal na APLA – Academia Patuense de Letras e Artes onde a mesma é patronesse da cadeira de número 03 ocupada pela acadêmica e professora da Escola Estadual João Godeiro, Mônica Alves Brasiliano.


Fonte:
Blog de Higor Godeiro.
Mirian Rocha,
Mônica Alves Brasiliano.
APLA – Academia Patuense de Letra e Artes.

Dona Carmelita Rocha em 2008 olhando a cheia do açude do Paulista

Dona Carmelita Rocha e sua filha Zilar Rocha

Serra de Três Cabeças - Almino Afonso RN- onde dona Carmelita Nasceu

Mônica Alves Brasiliano - Acadêmica da APLA - Academia Patuense de Letras e Artes - ocupa a cadeira de número de 3 que tem como patronesse Carmelita Rocha



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