email atual aluisiodutra@gmail.com

quinta-feira, 14 de abril de 2016

PROEG publica edital de convocação de Terceira Chamada do SiSU 2016

Terceira Chamada


Terceira Chamada
A Pró-Reitoria de Ensino de Graduação (PROEG/UERN) publica o edital de convocação em terceira chamada para realização dos procedimentos de Matrícula para ingresso no ano de 2016, nos cursos de graduação da UERN.
O candidato convocado na cota destinada à pessoa com deficiência deverá ser previamente submetido à avaliação da junta multiprofissional da UERN, devendo apresentar-se no dia 14 de abril, no horário das 19h às 21h, no prédio da Faculdade de Ciências da Saúde (FACS/UERN). É recomendável chegar com 30 minutos de antecedência.
A matrícula institucional dos convocados em terceira chamada será realizada nos dias 18 e 19 de abril de 2016, na secretaria da Unidade Universitária/Faculdade do curso para o qual o candidato está sendo convocado.
Veja:
Edital nº 021/2016 - PROEG (Convocação para realização das matrículas).
Anexo I (Relação dos convocados em terceira chamada para realização das matrículas). 

terça-feira, 12 de abril de 2016

MDA iniciou mobilização para preparação dos municípios do território Alto Oeste potiguar para os mutirões de documentação das trabalhadoras rurais


O Ministério do Desenvolvimento Agrário iniciou nesta segunda-feira  (11) a mobilização para preparação dos municípios do território Alto Oeste potiguar que realizarão os mutirões de documentação das trabalhadoras rurais e seus familiares. O calendário é o seguinte:
CRONOGRAMA
SEGUNDA
Venha Ver (9h)
Luis Gomes (14h)

TERÇA 
São Miguel (9h)
Dr Severiano  (14h)

QUARTA
Riacho de Santana (9h)
Portalegre (15h)

Nesta Quinta e Sexta Feira em Natal Acontecerá a 2ª Conferencia Nacional de ATER


Nesta Quinta e Sexta Feira em Natal Acontecerá a 2ª Conferencia Nacional de ATER - Assistência Técnica. O evento será realizado na sede da escola de Governo no Centro administrativo e contará com a participação de 200 delegados de todas as regiões do estado.   

Projeto Dom Hélder Câmara Chega também ao Município de Paraú


O Projeto Dom Hélder Câmara/MDA foi implantado no município de Paraú-RN. Na solenidade de apresentação do projeto e definição das  famílias  contou com a participação de representantes da Prefeitura Municipal  através do Secretário Francisco Feliciano "Nenen do Gás" e representantes da sociedade civil organizada através de associações comunitárias bem como agricultores familiares e a equipe do Ministério do Desenvolvimento Agrário, liderado pelo delegado Caramuru Paiva  bem como a participação do coordenador do Projeto PDHC, Gonçalo Filho. 


Projeto Dom Hélder Câmara Chega a Messias Targino

O Projeto Dom Hélder Camara/MDA foi implantado no município de Messias Targino. Na solenidade de apresentação do projeto e definição das  famílias  contou com a participação de representantes da Prefeitura Municipal  através do prefeito Artur Targino e o vice prefeito  Pola Pinto), além de vereadores,  direção do Sindicato dos Trabalhadores,  Fórum de Associações, produtores/as agroecológicos/as e a equipe do Ministério do Desenvolvimento Agrário, liderado pelo delegado Caramuru Paiva  bem como a participação do coordenador do Projeto PDHC, Gonçalo Filho. 



segunda-feira, 11 de abril de 2016

XII SEUNI e I SELP Foram realizadas com sucesso no Campus de Patu


A XII SEUNI - Semana Universitária do Campus Avançado de Patu e  I SELP - Semana de Estudos de Língua Portuguesa foram realizadas no período de 04 a 08 de abril com bastante sucesso em relação ao nível das conferências, mini-cursos e apresentações de trabalhos científicos, bem como de participação de alunos, professores, servidores e comunidade externa da UERN. 
O tema deste ano foi: Desafios da Sociedade Contemporânea: Desenvolvimento Sustentável, Político, Meio Ambiente e Educação.
Durante a semana foram realizadas as seguintes conferências: 

Dra. Sandra Kelly de Araújo, diretora do Campus da UFRN em Caicó falou sobre, Os Desafios da Sociedade Contemporânea: Desenvolvimento Sustentável, Político, Meio Ambiente e Educação, tema principal da Semana Universitária.

Deputado Estadual Fernando Mineiro falou sobre Sustentabilidade e Recursos Hídricos no Rio Grande do Norte.




Dr. Fabrício Edino Jales, engenheiro Agrônomo do SEAPAC, com qualificação em Agrimensura. falou sobre Agroecologia.



Dr. Caramuru Monte Paiva, Engenheiro Agrônomo com especialização em gestão ambiental, e atual Delegado Federal do Ministério do Desenvolvimento Agrário MDA Governo Federal, falou sobre Políticas Governamentais. 





Lidiane Sâmara, Cientista Social, do Centro Feminista 8 de março; Presidenta do DCE da UERN e militante da marcha mundial das mulheres, falou sobre o Enfretamento da Violência Contra a Mulher. 



José Procópio de Lucena, Engenheiro agrônomo; Presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Piancó/Piranhas/Açu, falou sobre Regulação de águas e convivência com a estiagem. 






Dr. Hailson Alves Pereira Preston, prof. Doutor da UFRN, falou sobre Problemas ambientais: Tendências Globais. 



Durante a Semana foi realizada também a I SELP - Semana de Estudos de Língua Portuguesa bem como dezenas de mini-cursos em diversas áreas de conhecimentos bem como apresentação de grupos de trabalhos científicos. 
Para a coordenação da XII SEUNI e I SELP os eventos foram muitos proveitosos para a sociedade onde o Campus de Patu - UERN - cumpriu o seu papel.

Atendimentos para servidores que não fizeram o Censo começam hoje


A partir desta próxima segunda-feira (11), os servidores ativos, aposentados e pensionistas que não fizeram ou não concluíram o Censo Previdenciário do Rio Grande do Norte terão uma nova oportunidade para atualizarem seus dados cadastrais. O Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Administração e dos Recursos Humanos (Searh) e do Instituto de Previdência do Rio Grande do Norte (Ipern), realizará atendimentos no horário das 8 às 17h. Porém, é preciso realizar agendamento prévio no site www.melhorparavoce.rn.gov.br.
Para os servidores ativos, o atendimento será realizado na sede da Searh, no Centro Administrativo; já para atender aos aposentados e pensionistas, o atendimento será feito na sede do Ipern, em Natal, e nas agências do Ipern em três municípios: Mossoró, Caicó e Currais Novos. É importante que os servidores fiquem atentos à documentação necessária para a realização do censo. A lista de documentos está disponível no site supracitado.
Se o servidor ou pensionista não puder comparecer presencialmente ao local de atendimento, no caso de portar doença que caracterize isolamento ou repouso, ele poderá realizar o Censo através de um atendimento domiciliar. Para isso, um ente familiar seu deve comparecer à Searh ou ao Ipern para apresentar declaração ou atestado médico com CID indicando a doença que o impede de se recadastrar presencialmente e agendar o atendimento domiciliar.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Projeto Dom Hélder Fez Apresentação em Patu e Selecionou Famílias para Ações de Assistência Técnica


Foi realizada  nesta quinta feira (07/04), no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Patu, reunião de apresentação do Projeto  Dom Hélder Câmara bem como a definição das comunidades e famílias que serão beneficiadas com o projeto de assistência técnica. A reunião foi coordenada pelo supervisor do projeto Dom Hélder Câmara,  Gonçalo Filho, que na oportunidade apresentou aos presentes os objetivos do projeto e critérios das famílias a serem beneficiadas.  Várias entidades compareceram a reunião como: Prefeitura Municipal de  Patu (Dr. Ricardo Viera), FIOS (Marília Gabriela), SEAPAC (Fabrício Edino Jales), STTR Patu (José Marcondes Pereira), Câmara Municipal (Ana Karla Figueiredo), PDA Novo Sertão - Visão Mundial (Jucileide Rodrigues), Aluísio Dutra de Oliveira (UERN Campus de Patu), Centro Juazeiro (Expedito Alves), EMATER (Joésio), Colônia de Pescadores (Tarcísio Nascimento) e Edson Silva (Diaconia). Após várias discussões os representantes das associações rurais escolheram de forma democrática as seguintes as comunidades que serão beneficiadas com o projeto Dom Hélder Câmara com ações de assistência técnica: Quilombolas do Jatobá com 18 famílias.  Rajada com 15 famílias,  Periquito com 15 Famílias e Serra do Lima com 12 famílias, totalizando 60 famílias que serão beneficiadas no município de Patu. As demais famílias serão beneficiadas na próxima etapa do projeto.  A coordenadora do Fórum das Organizações Sociais de Patu, Marília Gabriela considerou muito importante a chegada deste projeito ao município que com certeza vai melhorar a qualidade de vida das famílias da rural que desenvolverão projetos de sustentação das suas famílias bem como de geração de renda.








terça-feira, 5 de abril de 2016

PROEG publica edital de convocação de Terceira Chamada do SiSU 2016

Terceira Chamada


Terceira Chamada
A Pró-Reitoria de Ensino de Graduação (PROEG/UERN) publica o edital de convocação em terceira chamada para realização dos procedimentos de Matrícula para ingresso no ano de 2016, nos cursos de graduação da UERN.
O candidato convocado na cota destinada à pessoa com deficiência deverá ser previamente submetido à avaliação da junta multiprofissional da UERN, devendo apresentar-se no dia 14 de abril, no horário das 19h às 21h, no prédio da Faculdade de Ciências da Saúde (FACS/UERN). É recomendável chegar com 30 minutos de antecedência.
A matrícula institucional dos convocados em terceira chamada será realizada nos dias 18 e 19 de abril de 2016, na secretaria da Unidade Universitária/Faculdade do curso para o qual o candidato está sendo convocado.
Veja:
Edital nº 021/2016 - PROEG (Convocação para realização das matrículas).
Anexo I (Relação dos convocados em terceira chamada para realização das matrículas). 

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Começa Hoje (04/04) a XII SEUNI - Semana Universitária do Campus Avançado de Patu


Tem início hoje (04/04/2016), a partir das 19:00 horas e prosseguirá até o dia 08 de abril a XII SEUNI - Semana Universitária do Campus Avançado de Patu. A conferência de abertura da XII SEUNI será com a Diretora do CERES - Campus de Caicó da UFRN , Dra. Sandra Kelly de Araújo que falará sobre o tema principal da Semana Universitária que é: Desafios da Sociedade Contemporânea: Desenvolvimento Sustentável, Político, Meio Ambiente e Educação. No segundo momento acontecerá a conferência do deputado estadual Fernando Mineiro que vai expor sobre Sustentabilidade e Recursos Hídricos no Rio Grande do Norte.
Durante a Programação da XII SEUNI também acontecerá o I SELP - Semana de Estudos de Língua Portuguesa. 

Veja a Programação das Palestras:

DIA 04/04/2016 (SEGUNDA-FEIRA)
19:00h - CONFERÊNCIA INAUGURAL
DESAFIOS DA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA: Desenvolvimento sustentável, político, meio ambiente e educação.
PROFª DRª SANDRA KELLY DE ARAÚJO
Possui graduação em Geografia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (1986), mestrado em Educação pela Universidade Federal de Mato Grosso (1995) e doutorado em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (2003). Atualmente é professora Associada I do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Tem experiência nas áreas de Ensino de Geografia, Tecnologia Educacional e Gestão Ambiental, com ênfase em Educação Ambiental. É Coordenadora do subprojeto de Geografia/CERES/UFRN no Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) desde 2011. Diretora do CERES/UFRN.
20:30h - SUSTENTABILIDADE E RECURSOS HÍDRICOS NO RN
DEPUTADO ESTADUAL FERNANDO MINEIRO

DIA 05/04/2016 (TERÇA-FEIRA)
19:30 -  AGROECOLOGIA
FABRÍCIO EDNO JALES
Engenheiro Agrônomo, com qualificação em Agrimensura. Tem atuação: SEAPAC - Serviço de Apoio a Projetos Alternativos Comunitários - Diocese de Santa Luzia de Mossoro -RN. Engenheiro Agrônomo, com qualificação em Agrimensura.

DIA 06/04/2016 (QUARTA-FEIRA)
19:00h - POLÍTICAS PÚBLICAS GOVERNAMENTAIS
FRANCISCO CARAMURU MONTE PAIVA
⁠⁠⁠Engenheiro Agrônomo com especialização em gestão ambiental, e atual Delegado Federal do Ministério do Desenvolvimento Agrário MDA Governo Federal. ⁠⁠⁠Francisco Caramurú Monte Paiva, Engenheiro Agrônomo com especialização em gestão ambiental, e atual Delegado Federal do Ministério do Desenvolvimento Agrário MDA Governo Federal.
20:30h - ENFRENTAMENTO DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER.
LIDIANE SÂMARA
Cientista social, trabalha no centro feminista 8 de março; Presidenta do DCE;
Militante da marcha mundial das mulheres.

DIA 07/04/2016 (QUINTA-FEIRA)
19:00h - REGULAÇÃO DE ÁGUAS E A CONVIVÊNCIA COM A ESTIAGEM.
JOSÉ PROCÓPIO LUCENA
Engenheiro agrônomo; Presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Piancó/Piranhas/Açu

DIA 08/04/2016 (SEXTA-FEIRA)
19:00 – PROBLEMAS AMBIENTAIS: TENDÊNCIA GLOBAL
PROFERENTES: PROFRA. DRA. WELKA PRESTON LEITE BATISTA DA COSTA (UFERSA) E PROF. DR. HAILSON ALVES FERREIRA PRESTON (UFRN).

Veja o site da SEUNI CAP os Mini Cursos, apresentação de trabalhos e grupos de estudos. Acesse.

www.seunicap.blogspot.com 

    

O Ministério do Desenvolvimento agrário financiou 20 feiras da agricultura familiar para 300 agricultores/as familiares do Agreste Litoral Sul


As primeiras 7 feiras da agricultura familiar implantadas no território Agreste Litoral Sul significaram imediata abertura de mercado e acréscimo na renda dos agricultores e agricultores envolvidos. Os municípios que tiveram as feiras inauguradas foram Nova Cruz, Santo Antonio, Brejinho, São José do Mipibu, Vera Cruz, Senador Georgino Avelino e Serrinha. Ao todo serão 20 feiras implantadas nesta região com recursos do Ministério do Desenvolvimento Agrário/Governo Federal através de convênio firmado com a EMATER/Governo do RN.

O casal Gutemberg (29) e Aline (24) mora na zona rural de Serrinha e participou da abertura da feira vendendo a farinha de mandioca produzida artesanalmente na propriedade da família. “Nós dois fazemos faculdade, mas queremos nos formar e seguir a vida no campo. Por isso a feira é tão importante”, afirmou a agricultora Aline que está cursando ciências contábeis. No caso do município de Serrinha, a feira da agricultura familiar ganhou uma importância muito além da roça porque reativou a feira livre municipal que havia sido extinta.
De acordo com o Delegado Federal do MDA, engenheiro agrônomo Caramurú Paiva, o perfil dos/as feirantes mostra que entre os/as 300 agricultores/as beneficiados/as representam uma ampla diversidade com presenças marcantes de jovens, mulheres, artesãs/ãos, povos de comunidades tradicionais, quilombolas e assentados/as da reforma agrária. “O objetivo das feiras é fortalecer um ambiente de comercialização solidária e oportunizar a inclusão de segmentos que geralmente tem dificuldade de escoamento de suas produções”, afirmou Paiva.


As feiras como espaços ofertantes de alimentos saudáveis
As feiras implantadas e as que estão em processo de implantação vão muito além das infraestruturas. A definição deste projeto aconteceu bem antes, em 2013, através do Plano de Desenvolvimento Territorial Rural Sustentável e Solidário do Território Agreste Litoral Sul. O investimento saiu do PROINF, uma modalidade de recurso do MDA/Governo Federal que é aprovada pelas representações públicas e da sociedade civil que participam do Colegiado Territorial. “O colegiado têm representantes das cooperativas, associações, sindicatos, ONG, prefeituras, órgãos do Governo do Estado e Governo Federal. Lá foi onde debatemos e aprovamos as feiras”, explicou o sindicalista Aldo, coordenador do colegiado territorial.
Em seguida, o colegiado aprovou que o Governo Federal fizesse o repasse do recurso de R$ 305.000,00 através de convênio firmado com a EMATER. A última etapa foi também um dos mais importantes passos quando se realizou o planejamento da produção e uma série de intercâmbios e capacitações para preparar os agricultores e as agricultoras para a nova forma de venda direta ao consumidor excluindo as figuras dos atravessadores. Nesta etapa do trabalho foi importante a assessoria técnica oferecida pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte através do Núcleo de Extensão e Desenvolvimento Territorial que acompanha o território a partir de um convênio firmado junto ao MDA/Governo Federal. 
A agrônoma Geane Bezerra foi uma destas assessoras e explica que em sintonia com a EMATER foi realizado um intercâmbio para conhecimento da experiência paraibana com feiras da agricultura familiar e foi constituída uma comissão territorial composta por agricultores/as, sindicalistas, prefeituras, EMATER, NEDET e MDA. “Além do planejamento para garantir a diversidade de produtos nas feiras, a principal conclusão da comissão é que a produção que vai ser vendida em sua maioria já é orgânica e aquelas que ainda não são serão assessoradas para a conversão agroecológica”,  informou Geane Bezerra. De fato, a EMATER tem uma estratégia especial e assessoria às famílias que estão no projeto das feiras. 
Até o final de abril estarão implantadas todas as feiras da agricultura familiar do Território Agreste Litoral Sul e junto com elas vêm essa expectativa de elevação da renda rural, aquecimento das economias locais e aumento da oferta de alimentos saudáveis para as populações do interior do Rio Grande do Norte. O caminho está aberto e parece promissor. 

sábado, 2 de abril de 2016

Dilma decreta desapropriação de terras para reforma agrária e quilombolas



A presidenta Dilma Rousseff assinou, nesta sexta-feira, 1º, 25 decretos de desapropriação de imóveis rurais para reforma agrária e regularização de territórios quilombolas, no total de 56,5 mil hectares. Segundo Dilma, 21 decretos vão assegurar 35,5 mil hectares de terras para a reforma agrária em 14 estados.
Na cerimônia no Palácio no Planalto, também foram assinados quatro decretos de regularização de territórios quilombolas, atendendo a 799 famílias no Maranhão, Pará, Rio Grande do Norte e Sergipe, somando 21 mil hectares. 
Um hectare corresponde aproximadamente às medidas de um campo de futebol oficial. A solenidade contou com a participação de representantes de movimentos sociais e sindicais ligados ao campo e integrantes de comunidades quilombolas e do movimento negro que gritaram “Não vai ter golpe, vai ter luta” e “Viva a democracia”. 

Aqui no Rio Grande do Norte está na relação a área da comunidade quilombola de Macambira, em Serra de Santana, que beneficiará mais de 300 famílias em quase três mil hectares regularizadas. Segundo Caramuru Paiva do MDA também será beneficiada uma área de 1.600 hectares para 61 famílias do município de Assu, localizadas no território Assu - Mossoró.
O Dr. Rodrigues Filho "Kavei do Patu" teve uma contribuição muito significativa nesta luta da área quilombolas de Macambira em Serra de Santana através do seu trabalho como engenheiro do INCRA. Dr. Rodrigues que enfrentou muitas dificuldades pois ao acesso era muito difícil as regiões das serras, mas nem por isso houve desestímulo da equipe que continuou lutando para atingir a meta alcançada de regularização das terras do referido território quilombolas e agradeceu a Deus por mais um sonho realizado de uma comunidade quilombolas do Rio Grande do Norte, como por exemplo a comunidade Quilombolas do Jatobá que contou com a sua luta cotidiana em prol daquela comunidade negra patuense.  
      

Especial: Recordando Severino Cruz Cardoso (Biró de Onofre) nos quarenta anos sem sua presença física no plano terrestre


Por José Romero Araújo Cardoso

Para Maria de Lourdes Araújo Cardoso (In memoriam), Jerônimo Vingt-un Rosado Maia (In memoriam), Benedito Vasconcelos Mendes, Ignácio Tavares de Araújo e a Wilson Bezerra de Moura
          Biró de Onofre veio ao mundo no dia das comemorações da proclamação da República do ano de 1926, falecendo em dois de agosto de 1976, ambos os fatos ocorridos em Pombal (Estado da Paraíba). Em 1961, ano que assinalou importantes comemorações a nível local no que tangem ao centenário de emancipação política da velha urbe sertaneja, conhecida como terra de Maringá, casou-se com Maria de Lourdes Araújo Cardoso, de quem era parente próximo, a qual namorou por mais de vinte anos.
          Era filho de Onofre Benigno Cardoso, descendente de judeus sefaraditas que saíram às pressas do litoral paraibano para o sertão, devido a chegada da Inquisição, depois da expulsão dos holandeses do Nordeste açucareiro em 1654, e de Francisca Martinha Cruz Cardoso, a qual fazia parte do ramo dos Rosado surgido através do casal Jerônimo Ribeiro Rosado – Francisca Freire de Andrade ( Cf. ROSADO, Vingt-un. Informações genealógicas sobre alguns Rosado. Mossoró/RN: Fundação Guimarães Duque, 1982 (Série C, Coleção Mossoroense, Vol. CCXXIII) ).   
          Coincidentemente, seu grande ídolo, Luiz Gonzaga, encantou-se para o plano espiritual no mesmo dia e mês do ano de 1989. O eterno sanfoneiro do riacho da Brígida foi, por toda existência de Biró de Onofre, a referência musical mais expressiva, na qual pautou seu imaginário enquanto fomento às noções de pertencimento à região Nordeste.
           Biró, bem como sua prima em segundo grau de nome Maria de Lourdes Araújo Cardoso, conhecida por Lia de Lourdes, tiveram pouca instrução, cursando apenas até o quinto ano do ensino primário. Naqueles tempos difíceis, era verdadeira odisseia conseguir evolução nos estudos. Somente pessoas bem situadas na estratificação social regional, ou alguns privilegiados pelo destino, caso de Josué de Castro, por exemplo, autor de célebres obras sobre o problema da nutrição, como Geografia da Fome: O dilema Brasileiro – Pão x aço, lançada em 1946, conseguiram esse feito.
          Lia de Lourdes ainda galgou alguns degraus no quesito instrução, pois dispôs de curso teórico e prático para técnica em enfermagem, no ano de 1949, em João Pessoa (Estado da Paraíba), cujo objetivo foi viabilizar exercício de funções empregatícias no Posto de Puericultura da Legião Brasileira de Assistência que o governo federal instalou em Pombal e que foi criminosamente fechado, quando do advento dos anos de chumbo da ditadura militar instalada no País em primeiro de abril de 1964.
          O grande sonho de Biró era um filho homem para poder compartilhar o que sabia sobre o sertão, seus segredos e mistérios, suas perspectivas, formas de contatos humanos, enfim, tudo que dissesse respeito às terras adustas ressequidas pelo sol escaldante e seu aliado incondicional, o vento alíseo nordeste.
          Dos três filhos que o casal Biró de Onofre – Lia de Lourdes teve, sobreviveu apenas o nascido em 28 de setembro de 1969. O primeiro, a esposa abortou em agosto de 1967. Uma “comemoração inusitada” em um casamento de um primo legítimo foi o estopim para a perda do primogênito. Aconteceu no sitio Lajedo, comunidade rural localizada em Pombal (Estado da Paraíba), pertencente à família Menandro da Cruz, herança do rico fazendeiro Sinhozinho Vieira, pai de Martinha Vieira da Cruz, esposa de Menandro José da Cruz. A companheira inseparável de Seu Menandro pertenceu a um ramo familiar que ainda hoje é conhecido em Pombal como os Maniçobas.
          Tratava-se de um bêbado que disparava a esmo. Biró foi tomar as providências. Desarmou-o, pois sabia perfeitamente todos os procedimentos a fim de neutralizar o atirador. Lia de Lourdes, infelizmente, não suportou o estresse.
          O segundo nasceu forte e saudável, também no mês de agosto, ano de 1968, mas foi vítima da falta de cuidados. No Hospital e Maternidade Sinhá Carneiro, uma garotinha de uns 13 anos tomava de conta do berçário. Uma queda e o bebê bateu forte com a cabeça no chão. Não resistiu e morreu. Assim como o primeiro, o casal havia decidido que deveriam colocar no segundo o nome de Severino Cruz Cardoso Filho. Sonharam em seus devaneios e confianças e já o chamavam carinhosamente de Birozinho.
          Adepto fervoroso de uma cachacinha, hábito que manteve desde quando trabalhava na pedreira de gesso das voçorocas da Espadilha, localizada no antigo termo de São Sebastião, hoje município de Governador Dix-sept Rosado (Estado do Rio Grande do Norte), época em que notabilizou-se a maior extração de rocha sedimentar gipsita no Brasil, talvez na América Latina, Biró entregou-se à boemia, tendo como símbolo maior a música Juazeiro, de autoria de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, não obstante gostar também das canções compostas e interpretadas por Nélson Gonçalves, Orlando Silva e Vicente Celestino.
          Não largou sua opção etílica de forma alguma, pois manteve-se incólume em sua sina até seu trágico desencarne, vitimado por fenomenal descarga elétrica, quando desafiava trifásica ameaçadora que tangenciava-se com as galhas de uma cajazeira. Tragar sofregamente fumo DuBom enrolado em papel-seda ou em palha de milho era outro vício que Biró tinha e que cultivou até o final de sua existência.
          Apesar de Juazeiro ter se transformado no hino oficial da pedreira de gesso, o qual fazia-lhe recordar momentos marcantes em São Sebastião, era com A Triste Partida que a emoção fluía por todos os poros. A magistral poesia matuta de Patativa do Assaré, narrando a saga, as desditas e os sofrimentos passados por uma família de retirantes tangida pela seca do Nordeste para o Sul, levava Biró de Onofre às lágrimas. Quando chegava no refrão sobre o meu pobre cachorro quem dá de comer, ele chorava compulsivamente. Lembro-me que em certa época chegamos a ter mais de dez cachorros em casa, cada um inseparável companheiro de caça de Biró de Onofre. Jolí e ligeiro foram os preferidos. Ele nunca levou-me para uma caçada, pois dizia sempre que era perigoso levar crianças e eu obedecia-o, não relutava, não pedia para acompanhá-lo, apenas ficava esperando-lhe, apreensivo, pois sabia muito bem quem era meu pai. Se desarmado era perigosíssimo, imaginem então com uma espingarda calibre 28 a tiracolo e dispondo de mais de quarenta cartuchos em um bornal?
          Nas festas do Rosário do mês de outubro, em Pombal, quando o profano, sem sombras de dúvidas, torna-se extremamente mais visível que o sagrado, Biró de Onofre entregava-se de corpo e alma à bebida. Inúmeras vezes saiu comigo pelas ruas de Pombal, completamente bêbado, pois, para desespero de dona Lia, tirava-me da rede onde dormia, colocava-me em seu pescoço e saia se equilibrando, orgulhoso em mostrar aos amigos, muitos, incontáveis, que finalmente realizara seu grande sonho de ter um filho homem para poder dividir o que sabia sobre a terra dos desafios, a grande e soberana nação sertaneja.
          Não vou dizer com absoluta certeza que ele era incapaz de fazer mal a alguém, pois era uma fera. Domá-lo, quando se enraivecia, era tarefa hercúlea. Diversas vezes eu o vi, quando dos pic-nics com os amigos e conhecidos, quebrar a cara de incautos e fazer riscos de faca em peçonhentos que ainda existem no sertão e que costumam exceder em certas práticas nocivas, como a falta de respeito para com os semelhantes.
          Eu o vi muitas vezes desarmar diversas pessoas, apetrechadas de faca ou com arma de fogo. Ele avançava sem medo, sem titubear, pois quando menos esperava-se ele estava em cima, irresoluto, sem pestanejar, dando o recado àqueles que não sabiam que desconhecia o significado do substantivo masculino medo. Tio legítimo de nome Romeu Menandro da Cruz, irmão de Francisca Martinha da Cruz Cardoso, era do mesmo jeito, tendo chegado ao ponto de desafiar Sabino Gório e seu bando sinistro no dia 28 de setembro de 1926, em Cajazeiras dos Rolins (Estado da Paraíba). Sabino foi chefe de subgrupo do bando de Lampião, tendo se destacado pela ferocidade e perversidade inauditas.
          Não posso esquecer ainda da participação de Lourenço Cruz, enquanto sinônimo de bravura, como defensor de Mossoró, postado de forma estoica e abnegada nas trincheiras de Saboinha, ou seja, na estação da estrada de ferro, em 13 de junho de 1927, quando Lampião e seus cabras invadiram a terra de Santa Luzia, sendo rechaçados por parte da população local e pelos poucos policiais que guarneciam a ameaçada cidade potiguar.
          Eu, criança que não entendia muito bem o que estava acontecendo, ficava distante, temendo pela vida do meu genitor, mas ele sabia se safar bem, pois impor respeito através dos velhos métodos sertanejos era uma das especialidades de Biró de Onofre. Tem horas, no presente, que parece até que um filme está voltando em minha mente, com certas atitudes do meu filho mais velho. Romero Júnior tem muitas coisas do avô.  Jerônimo Vingt-un Menandro, calmo e dócil, até o presente momento, parece ser o contrário do irmão afobado e afoito.
          Bruto ao extremo, papai certa vez despertou toda rua Benigno Cardoso devido aos desdobramentos de uma caçada de tatu. Ligeiro, cachorro de sua predileção, destemido e brabo como ele só, não dava espaço para que Biró de Onofre cavasse o local onde se encontrava o pobre animalzinho acuado. Com raiva, pegou o facão e rolou o rabo do desditado cachorro. Desesperado, ligeiro desceu os lajedos do riacho do bode em desabalada carreira, deixando rastros de sangue por onde passava. Papai conservou em casa, até sua morte, o pedaço que ele arrancou do rabo do cachorro ligeiro.
          Outro amuleto que guardava a sete chaves, o qual conservo comigo, é uma velha fotografia do Vasco da Gama que ele trouxe quando foi trabalhar na Mineração Jerônimo Rosado S. A., em São Paulo. Quando dos deslocamentos para o Rio de Janeiro, aproveitou para adquirir souvenirs do time do coração, tendo aumentado significativamente sua coleção de lembranças referentes à associação desportiva nucleada em São Januário.
          O restante da coleção sobre o Vasco da Gama que possuía não consegui localizar. Nem preciso dizer que a opção futebolística do meu pai influenciou de forma basilar na minha decisão referente para qual time torcer.
          Na década de setenta do século passado, provavelmente no ano de 1974, protagonizou feito inaudito e, creio, talvez inédito para um sertão desacostumado a um certo tipo de fauna exótica, pois, na companhia do inseparável amigo Curinha de Dr. Lourival, deram caça a um jacaré no rio Piancó, conseguindo capturar o animal que havia sido retirado do seu habitat natural na região norte ou no Maranhão e levado para Pombal, sendo jogado nas águas do velho rio, tendo crescido consideravelmente, passando a impor medo nas lavadeiras e frequentadores do balneário natural.
          O rio Piancó foi um dos relicários sagrados da minha convivência com Biró de Onofre, pois nos tradicionais banhos fui batizado perante as inclemências da terra do sol, sendo uma das garantias de pertencimento ao velho chão sertanejo.
          Sob pretexto de que eu tinha que me virar, Biró praticava certo tipo de “esporte” por demais perigoso para uma criança, pois atirar-me em locais profundos do curso d´água sertanejo consistia em verdadeiro divertimento para ele.  Conforme Dedé Espalha, de saudosa memória, amigo pessoal de Biró de Onofre, o argumento de papai para tal prática era que eu deveria saber como me virar perante os segredos e mistérios do rio Piancó.
          Dona Lia, concentrada em seus trabalhos no Hospital Distrital de Pombal, confiava-lhe para que tomasse-me de conta, ficando comigo em casa, pois, conforme dona Lourdes, minha avó materna, “boa romaria faz, quem em sua casa está em paz”.
          Ledo engano. Papai aproveitava que a vigília materna não estava próxima e tomava comigo o rumo das águas tortuosas do rio Piancó, levando-me de madrugada para conhecer de perto as coisas do nosso sertão.
          Ele improvisava pescarias noturnas, bem como diurnas, com tarrafas, com anzol, com landuá, bem como com as mãos. A facilidade que tinha para pescar era fantástica. Logo tínhamos peixes em grande quantidade. Tratá-los, temperá-los, principalmente com manjericão, essência nativa do semiárido, e cozinhá-los, também eram tarefas fáceis, pois Biró de Onofre sabia muito bem como aproveitar os frutos de sua aptidão natural como pescador. Era comum naquela época encontrarmos panelas de barro enterradas ao longo do leito do rio Piancó. Existia um local que margeava o curso d´água que era conhecido por panela, justamente por encontrarmos esses utensílios artesanais enterrados para que houvesse viabilidade no cozimento de espécies da fauna aquática que eram pescadas, bem como para o preparo do tradicional arrubacão à beira do rio.
          Obter fogo através da fricção de paus era algo simples também para ele. A farra de madrugada estava garantida. Eu me concentrava nos saborosos peixes e ele tanto saboreava o que cozinhava como aproveitava para dar um gole na garrafa de pinga que nunca esquecia quando “roubava-me” para fazer parte de suas aventuras pela madrugada.
          Não sei como, talvez atraídos pelo cheiro dos peixes sendo cozidos na panela de barro deixada por “solidários boêmios”, bem como pelo odor, para mim insuportável, da cachaça que não faltava quando papai estava por perto, principalmente no rio Piancó e na bodega de Severino Pedro, logo o improvisado acampamento estava repleto de apreciadores de uma peixada com pinga, sendo a maioria moradora das redondezas que conheciam por demais Biró de Onofre. Confesso com franqueza que ainda não conheci alguém mais conhecido do que ele em seu torrão natal.
         Depois de saciada a fome, geralmente vinha uma das partes que mais gostava. Papai preparava uma cama com folhas de jitirana, tendo seu ombro como travesseiro, momento que ele aproveitava para ensinar-me sobre o sertão, dizendo-me de quem eram os cantos dos passarinhos que pululavam pela madrugada, bem como cada uivo dos animais, apontando ainda, sem pestanejar, denominações vulgares das espécies vegetais próximas.
          Biró conhecia como poucos cada entoação do canto da mãe da lua, das corujas, das peiticas, da temida rasga-mortalha de canto considerado fúnebre no sertão, do bacurau, etc.
          A variedade de peixes encontrados no rio Piancó, na época, era tão impressionante, que vislumbrava a todos, enchendo os olhos a diversidade fantástica. Era grande a quantidade de piaus, tucunarés, traíras imensas, curimatãs, cascudos, piranhas, etc., que faziam a felicidade dos pescadores e boêmios.
          Essa riqueza piscícola era garantia de suplemento alimentar à população de baixa renda que dependia bastante do que o rio Piancó oferecia. Essa profusão de peixes também era verificada no rio Piranhas, o qual recebe o Piancó logo além da forquilha das Junqueiras, seguindo seu curso para o vizinho Estado do Rio Grande do Norte.
          Certa vez, quando de uma pescaria noturna com amigos, da qual não participei, Biró chegou em casa com o polegar direito quase partido ao meio. Sangrava bastante. Em um gesto inopinado, resolveu desalojar com as mãos imensa piranhas preta que escondera-se em uma afloração granítica localizada, na época, ao longo do leito do rio Piancó. A piranha preta, feroz e perigosa, levou a melhor na pescaria, terminando-a de forma tragicômica.
          Biró conhecia ainda cada espécie de nossa flora tão ameaçada de extinção. Não apenas fazia uma catalogação mental referente a cada árvore e a cada arbusto, como sabia também a serventia de cada um para manter saudável a saúde do sertanejo ou de quem quer que fosse.
          Luiz Gonzaga foi muito feliz quando gravou extraordinária e belíssima canção, a qual enfatiza de forma sublime que: “como é bonito a gente ver, em plena mata o amanhecer”. Biró de Onofre mostrou-me o sertão de corpo e alma, através de suas essências mais marcantes.
          Parece até que ele se inspirava nesse hino sertanejo quando me levava para conhecer a natureza que rodeia nossa nação, nosso espaço, hoje, infelizmente, tão ameaçado pela intensiva ação antrópica.
          É no amanhecer que o sertão se torna mais sertão, pois o cheiro inigualável das árvores nativas e das águas dos rios é percebido pelo olfato mais sensível daqueles que amam a região.
          Quando das tradicionais vaquejadas ocorridas no mês de julho no Parque Manuel Arnaud, em Pombal, Biró transformava-me em um vaqueiro-mirim, pois fazia questão que eu ostentasse chapéu de couro, luvas, chibatinha e outros adereços integrantes da indumentária do grande herói do sertão.
          Exímio aboiador, resultado de suas lidas no trato com o gado no Carro Quebrado, denominação toponímica da propriedade de Onofre Benigno Cardoso, herança do velho ourives Benigno Ignácio Cardoso D’ Arão, Biró desfilava comigo pelo chão de terra batida do Parque de Vaquejada pombalense, como troféu, entoando a sonoridade laborial do vaqueiro sertanejo.
          Entusiasta da nossa cultura popular, levava-me à tradicional feira dos sábados em Pombal para ouvir cantadores e repentistas declamarem versos do Pavão Misterioso e de outros clássicos da literatura de bolso nordestina. Os folhetos de cordel foram despertando-me a atenção em razão da forma como viabiliza a produção poética do autêntico literato regional, pois a maioria é composta por seres humanos desprovidos de recursos, sem condições de publicar livros refinados.
          A feira foi sendo-me revelada espetacularmente, pois tudo que havia da produção artesanal sertaneja encontrávamos com facilidade naquela época. Selas impecavelmente trabalhadas, arreios, botas e chapéus de couro, bem como de palha, chocalhos, feitos cuidadosamente por hábeis ferreiros, panelas de barro, jarras para colocar água, aguidares, lamparinas, quartinhas, bornais e peias de couro, etc. eram comercializados na feira de Pombal. Hoje, a globalização mudou muito o rumo das coisas, modificando os produtos que encontramos à disposição, não obstante ainda encontrarmos muito da cultura popular de nossa região sendo vendido no lócus livre da comercialização pombalense.
          Incontáveis vezes fizemos o trajeto Sousa – Governador Dix-sept Rosado – Mossoró e vice-versa, nos vagões das composições férreas da saudosa estrada de ferro inaugurada em 1915. A velha terra do alho, do gesso e da cal era, geralmente, o destino mais procurado, pois marcas indeléveis estão fincadas por lá de forma mais efetiva e proeminente, não obstante ser batizado em Mossoró e na capital do oeste potiguar estarem fixados inúmeros familiares, tendo em vista que após a fragmentação e a marginalização das explorações de gesso e da cultura do alho e da cebola às margens do rio Apodi-Mossoró a migração de inúmeros dix-septienses para a segunda aglomeração urbana potiguar tenha se efetivado de forma intensa.
          Festas de São Sebastião em Governador Dix-sept Rosado constituíram-se em um dos motivos de deslocamentos da Paraíba para o Rio Grande do Norte nas companhias de Biró de Onofre, de dona Lia e de dona Cora, sendo que essa última era minha tia paterna e mãe de criação.  
          Todas as noites, depois que dona Lia dava-me banho, ficava sentado em seu colo para esperarmos a chegada do vento refrescante de Aracati. Pedia-lhe para contar-me histórias do tempo da pedreira. Lembro-me bem de uma, referente a uma ema que apareceu nas imediações da exploração de gesso.
          Disse-me que chamou um conhecido, compadre Bevenuto, para abater a imponente ave, conhecida como avestruz das Américas. Conforme relatou-me, era tão grande que foi preciso ser transportada nas costas de um burro.
          Naquela época era comum bandos de emas e varas de porcos-do-mato serem vistos na chapada do Apodi. Hoje, infelizmente, não existem nem rastros desses animais nos seus habitats naturais. Foram extintos pela irresponsabilidade humana.
          Naquele fatídico dia dois de agosto de 1976 eu parei, atônito, pois foi-se para sempre meu herói, meu ídolo, meu bandido, meu pai amado de quem nunca esquecerei.    Hoje, quarenta anos sem a presença física de Biró de Onofre no plano terrestre, as transformações são intensas e visíveis no espaço que tanto amou.
          O rio Piancó continua poluído, imundo, cheio de dejetos de toda espécie. Os peixes não existem mais em tamanha profusão como naquela época e os pássaros migraram para longe ou simplesmente desapareceram por que, entre outros motivos, a mata ciliar nativa foi derrubada para servir a fins diversos.
          O que não muda é a saudade de abraçar novamente meu pai e dizer-lhe o quanto o amo e o quanto sou agradecido por todos os momentos que passamos juntos, pois foram importantíssimo para que meu fascínio pelo sertão se efetivasse da forma mais proeminente possível.
 José Romero Araújo Cardoso. Geógrafo. Escritor. Professor-Adjunto IV do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Especialista em Geografia e Gestão Territorial e em Organização de Arquivos. Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente. Sócio da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço (SBEC) e do Instituto Cultural do Oeste Potiguar (ICOP). Filho único de Severino Cruz Cardoso (Biró de Onofre) e de Maria de Lourdes Araújo Cardoso (Lia de Lourdes).

Em evento com quilombolas e MST, Dilma prega "resistência" a atos antidemocráticos



A presidente Dilma Rousseff voltou classificar a ameaça de impeachment contra ela como "golpe" e pediu aos presentes em uma cerimônia no Palácio do Planalto que se mantenham, segundo ela, vigilantes e ofereçam resistências às tendências antidemocráticas e provocações. Durante cerimônia de anúncio da desapropriação de terras para reforma agrária e regularização de territórios quilombolas, Dilma pediu ao público para que não caia em "provocações" de grupos que pedem o impeachment.
— Precisamos nos manter vigilantes e oferecer resistência às tendências antidemocráticas. Oferecer resistência também às provocações — disse a presidente. — Nós não defendemos a perseguição de qualquer autoridade, porque pensa assim ou assado. Nós não defendemos a violência; eles defendem, eles exercem a violência, nós não — completou.
Dilma retomou também a comparação entre o atual momento político com o da ditadura militar para alertar, segundo ela, para a ameaça à democracia.
— Na ditadura, a relação é de imposição e no arbítrio uns decidem por todos. Hoje, o Brasil tem aspectos da democracia ameaçados — afirmou. — As regras do jogo não podem ser rompidas, porque tornam as relações das pessoas problematizadas. Não é democracia quando os direitos de alguns são atropelados pelo arbítrio de outros.
Após falar sobre reforma agrária e discriminação, temas de decretos assinados por ela no evento, Dilma afirmou que a construção de um País pacífico no convívio social é o princípio que permeia as ações do seu governo. Em seguida, parafraseou o ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias, que, no início do evento, gritou "não vai ter golpe, vai ter reforma agrária", e acrescentou que a dificuldade de acesso à terra tem sido uma das razões para a desigualdade do Brasil.
— Isso explica porque que um País tão grande se construiu com dificuldade — afirmou a presidente.
Dilma disse ainda que o acesso à terra produtiva significa "riqueza para brasileiros e brasileiras" e ainda citou as leis de cotas raciais para universidades e o setor público.
— Alunos da lei de cotas têm apresentado um desempenho acima da média. Diante de oportunidades sabemos que nosso povo é forte e guerreiro.
A presidente considerou ainda que a persistência da discriminação racial no País é um "vergonhoso paradoxo" e que um País nascido na miscigenação, na matriz africana, não pode compactuar com o racismo.
— Queremos um Brasil mais igual que respeite a desigualdade e que os ódios não proliferem — discursou a presidente, segundo a qual a democracia desejada é a que respeita todas as religiões e pessoas, e que olhe para a reforma agrária como um processo que todos os brasileiros se beneficiam. — Mais oportunidade de mais cidadania exige democracia, e nós não vamos permitir que nossa democracia seja manchada — concluiu.
Apoio de movimentos sociais
Durante o evento, Dilma assinou 25 decretos de desapropriação de imóveis rurais para reforma agrária e regularização de territórios quilombolas, no total de 56,5 mil hectares. Segundo a presidente, 21 decretos vão assegurar 35,5 mil hectares de terras para a reforma agrária em 14 Estados.
Na cerimônia no Palácio no Planalto, também foram assinados quatro decretos de regularização de territórios quilombolas, atendendo a 799 famílias no Maranhão, Pará, Rio Grande do Norte e Sergipe, somando 21 mil hectares.
Também foi lançado o edital do Sistema Nacional de Promoção da Igualdada Racial, que vai liberar R$ 4,5 milhões para projetos de promoção da igualdade racial no país, de apoio a políticas públicas de ação afirmativa e a políticas para comunidades tradicionais.
Em seus discursos, os representantes dos movimentos sociais presentes ao evento manifestaram apoio a Dilma em defesa contra o que chamam de "golpe" à democracia. O coordenador da Pastoral Negra, Bruno Coelho, defendeu os valores democráticos e o respeito à soberania popular expressa nas últimas eleições presidenciais. Em nome dos movimentos negros, ele entregou um manifesto de apoio à presidente.
— A posição de nossa luta histórica em defesa dos valores democráticos, sem nenhum passo atrás na consolidação das conquistas, direitos e cidadania, ameaçados no contexto atual por setores retrógrados da nação, nos delega o compromisso de defender a democracia e o respeito à soberania popular expressa nos milhões de votos do povo brasileiro nas últimas eleições presidenciais — disse.
Integrante da Coordenação Nacional de Articulação de Comunidades Negras Rurais Quilombolas, Kátia Penha afirmou que o segmento é contrário ao pedido impeachment e repudia o desrespeito demonstrado contra os princípios da democracia. Segundo ela, os quilombolas acreditam no projeto de governo de Dilma.
— Nesse momento de crise política e ideológica, entendemos que é necessário que o povo brasileiro volte a dialogar e se unir para que sejamos capazes de retomar o crescimento do país em todos os sentidos.
Alexandre Conceição, da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores sem Terra (MST), disse que os integrantes do movimento são contrários ao "golpe" e que os trabalhadores vão enterrar essa tentativa articulada contra a presidente Dilma.
— Estamos aqui hoje com o povo de terreiros, da agricultura familiar e os sem-terra. "Eles" estão reclamando porque aqui a gente é contra o golpe. Não vamos permitir golpe — acrescentou.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Saúde notifica 13 casos de influenza e orienta como a população deve se prevenir


gripe1Com o recebimento de quatro novas notificações de influenza esta semana, elevando para 13 o número de casos suspeitos em todo o RN, a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) já descartou até o momento 4 casos e mantém agendado para 30 de abril o Dia D da vacinação, quando dará início à campanha no Estado.
De acordo com a coordenadora de Promoção à Saúde (CPS), Cláudia Frederico, o quadro epidemiológico atual não configura motivo para pânico na população nem para antecipação da vacina, e por essa razão a Sesap mantém sua rotina de trabalho, atualização dos profissionais, intensificação das orientações e monitoramento dos casos suspeitos para detectar mutação do vírus.
Com relação aos medicamentos para combater a gripe, a Sesap está solicitando a ampliação do estoque de medicamentos e fazendo o levantamento do quantitativo nos hospitais descentralizados. Os casos notificados estão nos municípios de Lagoa Nova (1), Parnamirim (1) e Natal (11). Um dos casos descartados é relativo a um paciente em Natal, que se revelou positivo para a influenza a (H3N2) sazonal. Além de orientar a população a evitar aglomerados, a Saúde está fazendo as seguintes orientações:
-Lavar as mãos com água e sabão, especialmente após tossir ou espirrar.
-Ao tossir ou espirrar, cobrir a boca com lenço descartável.
-Não compartilhar alimentos, copos, toalhas e objetos de uso pessoal.
– Lavar as mãos frequentemente e não levar as mãos sujas aos olhos, nariz e boca.

Em 24h, açude Itans de Caicó aumentou seu nível em 77 centímetros

Conforme a leitura mais recente do DNOCS, na manhã de hoje (1º), o açude Itans, em Caicó, aumentou seu nível em 77 centímetros. A medição considera as últimas 24 horas, quando o rio Barra Nova desaguou com bom volume no principal reservatório do município.

Barroso sobre o PMDB no poder: ”Meu Deus do céu”

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), manifestou a estudantes nesta quinta-feira (31) uma crítica ao PMDB como “alternativa de poder”. No início da tarde, ele teve um encontro com bolsistas da Fundação Lemann em um dos plenários do tribunal. O ministro estava sentado ao lado de um mediador que fazia as perguntas e ele respondia. Numa das respostas, comentou o ambiente político do país e disse que se tornou “um espaço de corrupção generalizada”.

“Quando anteontem o jornal exibia que o PMDB desembarcou do governo e mostrava as pessoas que erguiam as mãos, eu olhei e disse: ‘Meu Deus do céu! Essa é nossa alternativa de poder. Não vou fulanizar, mas quem viu a foto sabe do que estou falando”, afirmou.