quinta-feira, 16 de novembro de 2017

História da Amplificadora da Igreja de N.S. das Dores Patu-RN



O serviço de comunicação é muito importante, principalmente nas pequenas cidades onde não se tem uma rádio. Antes do advento das rádios comunitárias as Igrejas Católicas das pequenas cidades possuíam um serviço de som para levar à população as informações da Igreja bem como notícias de utilidade pública da cidade. Em Patu a Paróquia de N. S. das Dores possuía um serviço de som instalado na Igreja Matriz com esse objetivo. O som não era de boa qualidade e funcionava, muitas vezes, desregulado provocando sons estridentes que incomodavam alguns moradores residentes próximos a Igreja Matriz, como foi o caso de Luís Nunes conhecido como Luís do Foto que diversas vezes procurou o pároco local para dizer que o som estava alto e perturbando o sossego alheio, fato esse que permaneceu durante muitos anos.  
Ao assumir a paróquia de Patu, após a transferência de Pe. Eurico Franke para a Paróquia de Betânia em Pernambuco em 1980, Pe. Silvano Schoenberger verificou que na igreja matriz existia um antigo e fraco amplificador e na primeira janela da torre apenas um alto falante. Como Pe. Silvano já atuara como vigário cooperador de 1973-1976 na Paróquia Cristo Redentor em Porto Alegre RS, já conhecia a fábrica de amplificadores Cotempo, de boa qualidade, encomendou um aparelho que veio com armário apropriado e que foi instalado num quartinho junto à sacristia. O aparelho de ar condicionado foi doado pelo ex-deputado federal Francisco Rocha. Aproveitando a ocasião de uma reunião da Província dos Missionários da Sagrada Família em Recife, trouxe de lá dois microfones direcionais, vários alto falantes internos e três alto falantes tipos cornetas que foram instalados no alto da torre nas três direções principais da cidade de Patu de tal forma que a maioria da população conseguia ouvir o som de sinos anunciando o início das celebrações e avisos que antes eram publicados em som muito precário no prédio da Câmara Municipal. Meninas do Grupo de Jovens da paróquia se encarregavam de fazer a locução e para ajudar na manutenção era cobrado o valor de um refrigerante por cada aviso de interesse particular, como por exemplo, anúncio de festas e eventos. Avisos de utilidade pública eram anunciados gratuitamente.
A prefeitura municipal de Patu mantinha uma parceria com a Igreja Matriz para divulgar as notícias do poder executivo. Na administração do prefeito Dr. Ednardo Benigno de Moura o assessor de comunicação era Sezildo Câmara onde diariamente ocupava um espaço no serviço de som da Igreja para levar às informações a população.
Um fato cômico que aconteceu nessa época foi quando Sezildo Câmara anunciou a primeira viagem do prefeito Ednardo Moura a Brasília, ele se esmerou na divulgação: informou o horário do vôo, a companhia aérea, o número da poltrona, etc., etc.
Dia seguinte, o prefeito telefonou informando que a aeronave sofrera uma pane muito séria entre Recife e Fortaleza.
Sezildo Câmara não perdeu tempo: colocou no ar um dobrado militar e passou a detalhar o fato pela amplificadora. No final do relato, já emocionado dizia: “O nosso prefeito se comportou como um verdadeiro herói; em momento algum demonstrou medo; suava muito; tremia muito; sua face empalideceu, teve náuseas, mas não chegou a chorar, apesar de sentir nó na garganta”. Finalmente quero enfatizar que a palavra medo não existe no vocabulário do nosso prefeito.
Não precisa dizer que o relato dúbio do assessor de comunicação provocou na cidade diversos comentários nas rodas de conversas.
O serviço de som da Igreja também tinha programas diários, como por exemplo, o programa "É tempo de falar e hora de escutar", apresentado pelo professor José Bezerra de Assis, onde na época eram veiculadas notícias da igreja e da comunidade bem como a vida dos santos da Igreja.
Na campanha política de 1990 o então candidato a governador, Salomão Gurgel, bem como os candidatos a deputado federal Geraldão e a deputado estadual Vencinho foram entrevistados na amplificadora da igreja, na época o entrevistador era Giovane Braga.  
Outro serviço prestado pelo som da Paróquia de Patu acontecia por ocasião da divulgação do resultado do vestibular da UERN, dezenas de pessoas ficavam aguardando defronte a igreja o anuncio dos aprovados, sempre ao som da música de Martinho da Vila, "O Pequeno Burguês".
Em 1993 na época da administração do prefeito Lair Solano Vale o assessor de comunicação da prefeitura de Patu era Josemar Matias, popularmente conhecido como Josa Kung Fú. Diariamente Josa informava as noticias da prefeitura. Ele relatou que nesse período largou o cigarro, pois sempre na hora de falar ele dava um pigarro na garganta, fato esse questionado por quem estava ouvindo. Josa nessa época jogou o maço de cigarros fora e nunca mais fumou.
Na época da administração paroquial de Padre Tarcísio Weber trabalhavam no serviço de Som da Igreja as irmãs Aldenísia e Lêda Câmara. Outro fato cômico aconteceu quando o senhor conhecido como Beto Camelo, na época residente no Bairro do Fomento, pagou um anuncio para ser divulgado no som da Igreja informando à população que em breve chegariam novas personagens de Catolé do Rocha no seu estabelecimento denominado de Jataí. A senhora Maria Celi Suassuna ouvindo o tal anúncio ligou para Pe. Tarcísio dizendo que no som da Igreja Católica estava sendo anunciado alguma coisa estranha.  Claro que a locutora do serviço de som da Igreja, inocentemente, não sabia o que era Jataí e muito menos quem seriam as tais personagens que iam chegar.
Em maio de 1998, na gestão do Pe. Francisco Carlos Azevedo era instalado na cassa paroquial um canal de radiodifusão comunitária, a Rádio Patu FM, que depois passou a ser denominada de Serrana FM, que por sua vez passou a substituir os trabalhos feitos pelo serviço de som da Igreja que atualmente se encontra desativado.

Com a Colaboração de: 
Silvano Schoenberger
Valério Mesquita - Escritor - www.valeriomesquita.com.br
José Bezerra de Assis.
Aldenísia Câmara.
Luís do Foto. 

 





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