email atual aluisiodutra@gmail.com

sábado, 6 de janeiro de 2018

Artigo.

A ÚLTIMA VIAGEM DE UM MAQUINISTA DO TRANSPORTE FÉRREO DE PASSAGEIROS

Por José Romero Araújo Cardoso

Parecia estar vivendo um pesadelo quando acionou o mecanismo que impulsionou velocidade à velha locomotiva, pois aquela seria sua última viagem conduzindo a composição férrea transportando passageiros, a qual, em verdade, passou a ser nos últimos vinte e três anos como um membro da família.
          
Não era a aposentadoria que estava chegando e sim a desativação do ramal ferroviário que estava acontecendo, algo que considerava inamissível em um país dito civilizado, cuja economia dependia diretamente da viabilidade dos meios de transportes a fim de escoar a produção e as pessoas.


Entre tantos problemas enfrentados, agora aparecia mais um, pois a incorporação em outro setor era uma incógnita que o acompanharia na última viagem como maquinista da velha estrada de ferro. Falavam em contenção de despesas, em dispensa de pessoal, etc. 
          
O trem começou a ganhar velocidade, fazendo tremer trilhos e dormentes envelhecidos pelo tempo. O descaso com o meio de transporte estava tão visível que a manutenção não vinha sendo feita há muito tempo.
          
Reflexões começaram a ser feitas pelo velho maquinista, sobre as razões de tamanha irresponsabilidade para com a coletividade. Inteligente, leitor ávido quando tinha tempo, lembrou-se que o modelo de substituição de importações adotado pelo governo federal a partir de 1956 priorizou a indústria automobilística em detrimento de transportes de massas.
          
Seria impossível conceber que no ensejo da concretização de uma nova ordem econômica pautada na individualidade houvesse espaço livre para o transporte férreo. As ferrovias, mais dia menos dia, seriam desativadas para viabilizar a acumulação extraordinária das grandes empresas que se instalaram no país devido tantas vantagens oferecidas.

          
Quantas famílias são alimentadas como o trabalho na estrada de ferro? Inúmeras. Incontáveis. Se contarmos empregos diretos e indiretos os números subirão ás alturas. É uma verdadeira falta de humanismo cometer tamanha atrocidade com tanta gente. Será que esse povo que tem o poder nas mãos não possui coração? Refletia o velho maquinista com suspiros no peito.
          
Cada estação na qual o trem parava era milimetricamente observada pelo maquinista. Colegas de trabalho com olhares tristes, realizando dentro e fora da estação os últimos trabalhos. Pobres viúvas vendendo pastéis, cocadas, tapiocas e outras iguarias da culinária local, cujos semblantes refletiam as incertezas sobre o que fariam depois que a linha férrea fosse desativada. Como apurariam um dinheirinho para os medicamentos dos filhos e netos, já que o sistema de saúde no pais é tão precário? Vendedores de fitas cassetes com os sistemas de sons a toda altura, visando atrair fregueses para comprar seus produtos, foram notados pelo velho maquinista. A tristeza também estava presente naqueles beneficiados pela estrada de ferro.


Esses trilhos por onde o trem passa vai ter qual destino? Será que vão vender como ferro pesado em algum lugar distante? Lógico que vão aproveitar de alguma forma isso tudo, fruto de um luta imensa que começou no século XIX.         

Para esses trilhos chegarem no Estado vizinho foi uma luta imensa. Somente na segunda metade da década de 1950 foi que alcançou o ramal que pode interligar-nos com o resto do país. Tudo vai ser destruído, acho que quase nada vai ficar de lembrança. O povo tem memória curta. Logo, logo nem vai se lembrar que essa estrada de ferro existiu, bem como quantas pessoas beneficiou, quanta gente transportou.


E o transporte de carga? Será que vão ter a coragem de desativar também? Se tiverem, como vai ser para fazer o escoamento da nossa produção? Claro, caminhões. Muitos veículos de grande porte começarão a chegar em nossa região para fazer o transporte das cargas que o trem fazia. Com as estradas esburacadas e mal conservadas, penso no que passará a acontecer. Acidentes, óbitos, dor das famílias desses profissionais e das pessoas que eles acidentarão. 
          
Penso que se desativarem também o transporte férreo de cargas e os caminhões começarem a se responsabilizar pelo transporte da produção, haverá aumento no índice de prostituição, entre outros inúmeros problemas que surgirão.
          
No ponto terminal da viagem, os lamentos não estavam sendo os mesmos por que a linha férrea não estava ameaçada em sua interligação para o resto do país, mas devido ao vínculo cultural formado ao longo dos anos, era notado o sentimento que todos demonstravam em razão da desativação do transporte de passageiros que unia os dois estados. 


Crônica laureada com Menção Honrosa no Resultado final do Terceiro Concurso de Crônicas, Contos e Poesias "João Batista Cascudo Rodrigues" - Versão 2016 - Promoção: Academia Mossoroense de Letras – AMOL

José Romero Araújo Cardoso (Mini Currículo):

Geógrafo (UFPB). Especialista em Geografia e Gestão Territorial (UFPB-1996) e em Organização de Arquivos (UFPB - 1997). Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (2002). Atualmente é professor adjunto IV do Departamento de Geografia/DGE da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais/FAFIC da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte/UERN. Tem experiência na área de Geografia Humana, com ênfase à Geografia Agrária, atuando principalmente nos seguintes temas: ambientalismo, nordeste, temas regionais. Espeleologia é tema presente em pesquisas. Escritor e articulista cultural. Escreve para diversos jornais, sites e blogs. Sócio da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço (SBEC) e do Instituto Cultural do Oeste Potiguar (ICOP). Membro da Associação Mossoroense de Escritores (ASCRIM).
Endereço residencial:

Rua Raimundo Guilherme, 117 – Quadra 34 – Lote 32 – Conjunto Vingt Rosado – Mossoró – RN – CEP: 59.626-630 – Fones: (84) 9-8738-0646 – (84) 9-9702-3596 – E-mail:romero.cardoso@gmail.com

Arquidiocese de Natal lança campanha para ajudar policiais militares do RN

Neste sábado (06), ao final da celebração de encerramento da Festa de Santos Reis, co-padroeiros da cidade do Natal, o Arcebispo Metropolitano, Dom Jaime Vieira Rocha, fará o lançamento de uma campanha para arrecadação de alimentos não perecíveis, que serão destinados aos policiais militares do Rio Grande do Norte e suas famílias.

A categoria vem enfrentando uma situação de dificuldade financeira, em decorrência dos atrasos salariais.
A arrecadação acontecerá na Catedral Metropolitana, de segunda a sexta-feira, no horário das 08h às 14h.

Artigo: Biró de Onofre


 Romero Araújo Cardoso

José Romero Araújo Cardoso*

Ele nasceu em 15 de novembro de 1926 e faleceu no fatídico dia dois de agosto de 1976. Veio ao mundo na cidade de Pombal, Estado da Paraíba, e lá também desencarnou. Visitei seu túmulo em cinco de novembro de 2005, na companhia de alunos da graduação do curso de Geografia do Campus Central da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, quando de viagem de estudo de campo programada para a disciplina Geografia das Indústrias e dos Serviços.

Não pude lhe fazer visita de túmulo no dia de finados, razão pela qual solicitei ao corpo discente que coordenei em atividades de campo para acender velas comigo no jazigo onde ele repousa eternamente.

Nunca havia tocado com ênfase no assunto, é algo que me incomoda, pois se trata do meu pai, um homem a quem dedico muitas reflexões e orações. Foi ele quem começou a me ensinar os segredos do sertão, mostrando-me o que representava cada filete d’água do rio Piancó, os métodos para pescar e caçar e a serventia de cada espécie de nossa flora tão ameaçada pela ação do homem nos dias de hoje.

Recordo-me bastante de Biró de Onofre, não obstante ter apenas seis anos, perto de completar sete, quando ele fez sua última viagem rumo ao além. Ele era baixinho, moreno de cabelos lisos e fala mansa e pausada. Conversava sempre fitando as pessoas nos olhos, bem no fundo dos olhos. Creio que foi dele que herdei isso.

Papai, porém, tinha na imprudência, uma marca registrada. Ele não tinha medo de absolutamente nada, era corajoso ao extremo. Nada se constituía em mistério para ele, tudo era natural e passível de ser desvendado. Mas a imprudência de Biró de Onofre lhe foi fatal, ele desprezava toda e qualquer noção acerca de cuidados. Pena que ele achasse o contrário.
Chorei no seu túmulo quando da visita efetivada por não ter tido como ir ao dia de finados de 2005 em Pombal. Chorei muito, me lembrando de muitas coisas que passamos juntos, lembrei também as inúmeras surras que levei dele. Papai era um siri na lata quando se zangava, ninguém conseguia controlá-lo.

A tragédia de Biró de Onofre aconteceu numa segunda-feira. Era a primeira segunda de agosto, quando a tradição judaico-sertaneja prescreve a necessidade de não haver manuseio de instrumentos de metal.

Tudo começou quando a trifásica que corta o terreno de Chiquinha de Dozinho, irmã do meu avô, começou a tangenciar as galhas da cajazeira que ali existia. Descargas impressionantes foram lançadas ao chão, causando espanto e terror às nossas primas da rua de baixo.

Biró de Onofre
Biró, intempestivo e sem nada temer, observou o pavor de todos e logo começou a arquitetar seu último plano. Tinha que cortar àquelas galhas imediatamente, antes que algo pior pudesse acontecer. Conhecedores do temperamento espalhafatoso e surrealista de Biró de Onofre, alguns parentes acionaram a companhia energética paraibana, tentando evitar o iminente, o inevitável. Ele estava disposto a se arriscar, num gesto de altruísmo, intuindo que vidas não fossem ceifadas.

Papai, o senhor deveria ter pensado mais, ter raciocinado sobre inúmeras hipóteses, principalmente no sofrimento do seu filho único que tanto te amou e ainda te ama. O senhor deveria ter pensado em sua esposa que varava plantões no Hospital Distrital, mas, para ele, era a aventura de mostrar que não tinha medo que mais importava.

Ele me deixou de manhã, bem cedinho, na casa da irmã, minha mãe Cora, minha e também de Natalzinho. Rumou para a rua de baixo irresoluto. Tinha que cumprir àquela “missão” e se imortalizar no imaginário sertanejo, que tanto louva os bravos e destemidos. Mas a prudência deveria norteá-lo, não poderia pensar apenas na “glória”. E que glória é essa? Será “glorioso” deixar um órfão e uma viúva desamparados? Será “glorioso” morrer como herói?

Na cajazeira, os galhos vibravam ao sabor dos ventos, cada centímetro quadrado da árvore escondia a asa negra da morte. Era uma aventura inusitada que ele abraçava.

Dona Porcina de Zé Vicente, com a experiência dos sertanejos, logo percebeu o objetivo de Biró de Onofre. Avisou-lhe que ali não era lugar para se aventurar, para mostrar valentia. Tentou de todas as formas demovê-lo daquela empreitada absurda. Afinal, a companhia energética estava a caminho. Mas, desprezando os avisos, o que era natural num homem que não tinha medo de nada, ele subiu na cajazeira e logo começou a podar os galhos traiçoeiros 
da frondosa espécie nativa do semi-árido.

Não demorou muito e Chiquinha de Dozinho também engrossou a corrente a fim de que ele parasse com àquela sandice. Cortar uma árvore cujos galhos estavam em contato com uma trifásica era o mesmo que estar buscando a morte.

Mas ele nem ligou, continuou seu trabalho fatal. Era a última etapa de sua vida, não mais teria as chances que Deus havia lhe concedido. Antes disso, ele foi vítima com o primo Zé Cardoso de uma descarga elétrica estupenda, quando trabalhavam estendendo a fiação telefônica pela zona rural de Pombal. Os fios haviam se conectado com a mesma trifásica que o levou à eternidade.

Às 10 e 30 da manhã do dia dois de agosto de 1976, Biró de Onofre se despedia da vida, vítima daquilo que tanto lhe aconselharam a não fazer. A última galha era a mais perigosa, mas ele nem queria saber disso. Tentou cortá-la, e conseguiu o intento, mas como era bastante pesada, logo ela envergou em direção à alta-tensão, fulminando-o instantaneamente.
Biró, Severino Cruz Cardoso, este era seu nome completo, o senhor devia ter tido um pouco de paciência, pois depois de sua desencarnação os funcionários da companhia energética, comandados por um primo legítimo de sua esposa, chegavam ao local para fazer o trabalho que não era de sua competência.

Rogo a Deus Todo Poderoso, o D’Us de nosso povo, o Grande Arquiteto do Universo, simbolizado na estrela disfarçada em Rosa no frontispício da casa dos seus tios Aarão Ignácio Cardoso D’Arão e Facunda Alencar, que lhe conduza ao reino dos justos e dos honrados, pois és a essência das reminiscências e das saudades de alguém que ficou neste plano terreno a chorar sua perda, a remoer a saudade de sua presença. Que Deus te proteja e te dê os Céus como recompensa pelo gesto de extremo altruísmo que protagonizastes.

*Geógrafo. Professor-adjunto da UERN.


Advogada pede intervenção federal no RN

A Advogada Kátia Nunes pediu nesta sexta-feira (05) uma intervenção federal no Rio Grande do Norte. O documento foi protocolado no Ministério Público Federal pedindo às providências cabíveis da Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge. O MPF RN vai enviar o documento à Brasília.

A Advogada relata no documento que o Governo do Estado atinge os princípios da dignidade humana ao não pagar os servidores públicos e culpa o governador Robinson Faria.
Ela usa como base o artigo 37 da Constituição Federal, que afirma: “administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência”.
Fonte: Blog do Robson Pires.

Governo do RN declara calamidade na segurança pública

O governador do RN, Robinson Faria, declarou na tarde de ontem, 5, estado de calamidade na segurança pública. Diante do decreto, medidas emergenciais como a contratação de serviços terceirizados deverão ser tomadas.


Veja abaixo :
DECRETO Nº 27.675, DE 05 DE JANEIRO DE 2018.
Declara estado de calamidade no Sistema de Segurança Pública do Estado do Rio Grande do Norte, para o fim de legitimar a adoção e execução de medidas emergenciais que se mostrarem necessárias ao restabelecimento do seu normal funcionamento.
O GOVERNADOR DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE, no uso da competência que lhe confere o art. 64, V e XXI, da Constituição Estadual,
Considerando o Relatório de Situação, subscrito pela Secretária de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social, em 5 de janeiro de 2018;
Considerando a indisponibilidade e insuficiência dos agentes de segurança pública em razão da paralisação das atividades dos policiais militares e civis, acarretando insegurança e transtornos à população do Estado;
Considerando o aumento dos índices de violência decorrente da paralisação das atividades dos policiais militares e civis, consoante os dados expedidos pela Coordenadoria de Informações Estatísticas e Análises Criminais da Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social;
Considerando a urgência de atendimento de situação de calamidade, para evitar prejuízo ou comprometimento da segurança de pessoas, equipamentos e outros bens, públicos ou particulares;
Considerando a necessidade de adoção de medidas emergenciais, imprescindíveis à manutenção da normalidade, assegurando à população os direitos sociais constitucionalmente previstos,
D E C R E T A:
Art. 1º Fica declarada situação de calamidade no Sistema de Segurança Pública do Estado do Rio Grande do Norte.
Parágrafo único. Enquanto perdurar a situação declarada no caput deste artigo, ficam disponíveis para atendimento aos serviços necessários do sistema de segurança pública todos os bens, serviços e servidores da Administração Pública Direta ou Indireta.
Art. 2º Ficam as autoridades administrativas responsáveis pelo controle operacional e administrativo dos órgãos estaduais de segurança pública, no âmbito de suas competências, autorizadas a:
I – requisitar ou contratar, em caráter emergencial, quaisquer serviços e bens disponíveis, públicos ou privados, com vistas ao reestabelecimento da normalidade no atendimento aos serviços de segurança pública, conforme dispõe o art. 24, IV, da Lei Federal nº 8.666, de 21 de junho de 1993;
II – editar atos administrativos complementares e necessários à fiel execução deste Decreto.
Art. 3º A vigência deste Decreto será de 180 (cento e oitenta) dias contados da data de sua publicação.
Art. 4º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.
Palácio de Despachos de Lagoa Nova, em Natal/RN, 05 de janeiro de 2018, 197º da Independência e 130º da República.
ROBINSON FARIA
Sheila Maria Freitas de Souza Fernandes e Melo

ARTIGO: "Recordando Severino Cruz Cardoso (Biró de Onofre) nos 40 anos de sua morte", por Romero Cardoso


Publicado em 01.04.2016
ARTIGO:
Biró de Onofre veio ao mundo no dia das comemorações da proclamação da República do ano de 1926, falecendo em dois de agosto de 1976, ambos os fatos ocorridos em Pombal.
Em 1961, ano que assinalou importantes comemorações a nível local no que tange ao centenário de emancipação política da velha urbe sertaneja, conhecida como terra de Maringá, casou-se com Maria de Lourdes Araújo Cardoso, de quem era parente próximo, a qual namorou por mais de vinte anos.
Era filho de Onofre Benigno Cardoso, descendente de judeus sefaraditas que saíram às pressas do litoral paraibano para o sertão, devido a chegada da Inquisição, depois da expulsão dos holandeses do Nordeste açucareiro em 1654, e de Francisca Martinha Cruz Cardoso, a qual fazia parte do ramo dos Rosado surgido através do casal Jerônimo Ribeiro Rosado – Francisca Freire de Andrade ( Cf. ROSADO, Vingt-un. Informações genealógicas sobre alguns Rosado. Mossoró/RN: Fundação Guimarães Duque, 1982 (Série C, Coleção Mossoroense, Vol. CCXXIII) ).
Coincidentemente, seu grande ídolo, Luiz Gonzaga, encantou-se para o plano espiritual no mesmo dia e mês do ano de 1989. O eterno sanfoneiro do riacho da Brígida foi, por toda existência de Biró de Onofre, a referência musical mais expressiva, na qual pautou seu imaginário enquanto fomento às noções de pertencimento à região Nordeste.
Biró, bem como sua prima em segundo grau de nome Maria de Lourdes Araújo Cardoso, conhecida por Lia de Lourdes, tiveram pouca instrução, cursando apenas até o quinto ano do ensino primário. Naqueles tempos difíceis, era verdadeira odisseia conseguir evolução nos estudos. Somente pessoas bem situadas na estratificação social regional, ou alguns privilegiados pelo destino, caso de Josué de Castro, por exemplo, autor de célebres obras sobre o problema da nutrição, como Geografia da Fome: O dilema Brasileiro – Pão x aço, lançada em 1946, conseguiram esse feito.
Lia de Lourdes ainda galgou alguns degraus no quesito instrução, pois dispôs de curso teórico e prático para técnica em enfermagem, no ano de 1949, em João Pessoa (Estado da Paraíba), cujo objetivo foi viabilizar exercício de funções empregatícias no Posto de Puericultura da Legião Brasileira de Assistência que o governo federal instalou em Pombal e que foi criminosamente fechado, quando do advento dos anos de chumbo da ditadura militar instalada no País em primeiro de abril de 1964.
O grande sonho de Biró era um filho homem para poder compartilhar o que sabia sobre o sertão, seus segredos e mistérios, suas perspectivas, formas de contatos humanos, enfim, tudo que dissesse respeito às terras adustas ressequidas pelo sol escaldante e seu aliado incondicional, o vento alíseo nordeste.
Dos três filhos que o casal Biró de Onofre – Lia de Lourdes teve, sobreviveu apenas o nascido em 28 de setembro de 1969. O primeiro, a esposa abortou em agosto de 1967. Uma “comemoração inusitada” em um casamento de um primo legítimo foi o estopim para a perda do primogênito. Aconteceu no sitio Lajedo, comunidade rural localizada em Pombal (Estado da Paraíba), pertencente à família Menandro da Cruz, herança do rico fazendeiro Sinhozinho Vieira, pai de Martinha Vieira da Cruz, esposa de Menandro José da Cruz. A companheira inseparável de Seu Menandro pertenceu a um ramo familiar que ainda hoje é conhecido em Pombal como os Maniçobas.
Tratava-se de um bêbado que disparava a esmo. Biró foi tomar as providências. Desarmou-o, pois sabia perfeitamente todos os procedimentos a fim de neutralizar o atirador. Lia de Lourdes, infelizmente, não suportou o estresse.
O segundo nasceu forte e saudável, também no mês de agosto, ano de 1968, mas foi vítima da falta de cuidados. No Hospital e Maternidade Sinhá Carneiro, uma garotinha de uns 13 anos tomava de conta do berçário. Uma queda e o bebê bateu forte com a cabeça no chão. Não resistiu e morreu. Assim como o primeiro, o casal havia decidido que deveria colocar no segundo o nome de Severino Cruz Cardoso Filho. Os dois sonharam em seus devaneios e confianças e já o chamavam carinhosamente de Birozinho.
Adepto fervoroso de uma cachacinha, hábito que manteve desde quando trabalhava na pedreira de gesso das voçorocas da Espadilha, localizada no antigo termo de São Sebastião, hoje município de Governador Dix-sept Rosado (Estado do Rio Grande do Norte), época em que notabilizou-se a maior extração de rocha sedimentar gipsita no Brasil, talvez na América Latina, Biró entregou-se à boemia, tendo como símbolo maior a música Juazeiro, de autoria de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, não obstante gostar também das canções compostas e interpretadas por Nélson Gonçalves, Orlando Silva e Vicente Celestino.
Não largou sua opção etílica de forma alguma, pois manteve-se incólume em sua sina até seu trágico desencarne, vitimado por fenomenal descarga elétrica, quando desafiava trifásica ameaçadora que tangenciava-se com as galhas de uma cajazeira. Tragar sofregamente fumo DuBom enrolado em papel-seda ou em palha de milho era outro vício que Biró tinha e que cultivou até o final de sua existência.
Apesar de Juazeiro ter se transformado no hino oficial da pedreira de gesso, o qual fazia-lhe recordar momentos marcantes em São Sebastião, era com A Triste Partida que a emoção fluía por todos os poros. A magistral poesia matuta de Patativa do Assaré, narrando a saga, as desditas e os sofrimentos passados por uma família de retirantes tangida pela seca do Nordeste para o Sul, levava Biró de Onofre às lágrimas.
Quando chegava no refrão sobre o meu pobre cachorro quem dá de comer, ele chorava compulsivamente. Lembro-me que em certa época chegamos a ter mais de dez cachorros em casa, cada um inseparável companheiro de caça de Biró de Onofre.
Jolí e ligeiro foram os preferidos. Ele nunca levou-me para uma caçada, pois dizia sempre que era perigoso levar crianças e eu obedecia-o, não relutava, não pedia para acompanhá-lo, apenas ficava esperando-lhe, apreensivo, pois sabia muito bem quem era meu pai. Se desarmado era perigosíssimo, imaginem então com uma espingarda calibre 28 a tiracolo e dispondo de mais de quarenta cartuchos em um bornal?
Nas festas do Rosário do mês de outubro, em Pombal, quando o profano, sem sombras de dúvidas, torna-se extremamente mais visível que o sagrado, Biró de Onofre entregava-se de corpo e alma à bebida.
Inúmeras vezes saiu comigo pelas ruas de Pombal, completamente bêbado, pois, para desespero de dona Lia, tirava-me da rede onde dormia, colocava-me em seu pescoço e saia se equilibrando, orgulhoso em mostrar aos amigos, muitos, incontáveis, que finalmente realizara seu grande sonho de ter um filho homem para poder dividir o que sabia sobre a terra dos desafios, a grande e soberana nação sertaneja.
Não vou dizer com absoluta certeza que ele era incapaz de fazer mal a alguém, pois era uma fera. Domá-lo, quando se enraivecia, era tarefa hercúlea. Diversas vezes eu o vi, quando dos pic-nics com os amigos e conhecidos, quebrar a cara de incautos e fazer riscos de faca em peçonhentos que ainda existem no sertão e que costumam exceder em certas práticas nocivas, como a falta de respeito para com os semelhantes.
Eu o vi muitas vezes desarmar diversas pessoas, apetrechadas de faca ou com arma de fogo. Ele avançava sem medo, sem titubear, pois quando menos esperava-se ele estava em cima, irresoluto, sem pestanejar, dando o recado àqueles que não sabiam que desconhecia o significado do substantivo masculino medo. Tio legítimo de nome Romeu Menandro da Cruz, irmão de Francisca Martinha da Cruz Cardoso, era do mesmo jeito, tendo chegado ao ponto de desafiar Sabino Gório e seu bando sinistro no dia 28 de setembro de 1926, em Cajazeiras dos Rolins (Estado da Paraíba). Sabino foi chefe de subgrupo do bando de Lampião, tendo se destacado pela ferocidade e perversidade inauditas.
Não posso esquecer ainda da participação de Lourenço Cruz, enquanto sinônimo de bravura, como defensor de Mossoró, postado de forma estoica e abnegada nas trincheiras de Saboinha, ou seja, na estação da estrada de ferro, em 13 de junho de 1927, quando Lampião e seus cabras invadiram a terra de Santa Luzia, sendo rechaçados por parte da população local e pelos poucos policiais que guarneciam a ameaçada cidade potiguar.
Eu, criança que não entendia muito bem o que estava acontecendo, ficava distante, temendo pela vida do meu genitor, mas ele sabia se safar bem, pois impor respeito através dos velhos métodos sertanejos era uma das especialidades de Biró de Onofre. Tem horas, no presente, que parece até que um filme está voltando em minha mente, com certas atitudes do meu filho mais velho. Romero Júnior tem muitas coisas do avô. Jerônimo Vingt-un Menandro, calmo e dócil, até o presente momento, parece ser o contrário do irmão afobado e afoito.
Bruto ao extremo, papai certa vez despertou toda rua Benigno Cardoso devido aos desdobramentos de uma caçada de tatu. Ligeiro, cachorro de sua predileção, destemido e brabo como ele só, não dava espaço para que Biró de Onofre cavasse o local onde se encontrava o pobre animalzinho acuado. Com raiva, pegou o facão e rolou o rabo do desditado cachorro. Desesperado, ligeiro desceu os lajedos do riacho do bode em desabalada carreira, deixando rastros de sangue por onde passava. Papai conservou em casa, até sua morte, o pedaço que ele arrancou do rabo do cachorro ligeiro.
Outro amuleto que guardava a sete chaves, o qual conservo comigo, é uma velha fotografia do Vasco da Gama que ele trouxe quando foi trabalhar na Mineração Jerônimo Rosado S. A., em São Paulo. Quando dos deslocamentos para o Rio de Janeiro, aproveitou para adquirir souvenirs do time do coração, tendo aumentado significativamente sua coleção de lembranças referentes à associação desportiva nucleada em São Januário.
O restante da coleção sobre o Vasco da Gama que possuía não consegui localizar. Nem preciso dizer que a opção futebolística do meu pai influenciou de forma basilar na minha decisão referente para qual time torcer.
Na década de setenta do século passado, provavelmente no ano de 1974, protagonizou feito inaudito e, creio, talvez inédito para um sertão desacostumado a um certo tipo de fauna exótica, pois, na companhia do inseparável amigo Curinha de Dr. Lourival, deram caça a um jacaré no rio Piancó, conseguindo capturar o animal que havia sido retirado do seu habitat natural na região norte ou no Maranhão e levado para Pombal, sendo jogado nas águas do velho rio, tendo crescido consideravelmente, passando a impor medo nas lavadeiras e frequentadores do balneário natural.
O rio Piancó foi um dos relicários sagrados da minha convivência com Biró de Onofre, pois nos tradicionais banhos fui batizado perante as inclemências da terra do sol, sendo uma das garantias de pertencimento ao velho chão sertanejo.
Sob pretexto de que eu tinha que me virar, Biró praticava certo tipo de “esporte” por demais perigoso para uma criança, pois atirar-me em locais profundos do curso d´água sertanejo consistia em verdadeiro divertimento para ele. Conforme Dedé Espalha, de saudosa memória, amigo pessoal de Biró de Onofre, o argumento de papai para tal prática era que eu deveria saber como me virar perante os segredos e mistérios do rio Piancó.
Dona Lia, concentrada em seus trabalhos no Hospital Distrital de Pombal, confiava-lhe para que tomasse-me de conta, ficando comigo em casa, pois, conforme dona Lourdes, minha avó materna, “boa romaria faz, quem em sua casa está em paz”.
Ledo engano. Papai aproveitava que a vigília materna não estava próxima e tomava comigo o rumo das águas tortuosas do rio Piancó, levando-me de madrugada para conhecer de perto as coisas do nosso sertão.
Ele improvisava pescarias noturnas, bem como diurnas, com tarrafas, com anzol, com landuá, bem como com as mãos. A facilidade que tinha para pescar era fantástica. Logo tínhamos peixes em grande quantidade. Tratá-los, temperá-los, principalmente com manjericão, essência nativa do semiárido, e cozinhá-los, também eram tarefas fáceis, pois Biró de Onofre sabia muito bem como aproveitar os frutos de sua aptidão natural como pescador.
Era comum naquela época encontrarmos panelas de barro enterradas ao longo do leito do rio Piancó. Existia um local que margeava o curso d´água que era conhecido por panela, justamente por encontrarmos esses utensílios artesanais enterrados para que houvesse viabilidade no cozimento de espécies da fauna aquática que eram pescadas, bem como para o preparo do tradicional arrubacão à beira do rio.
Obter fogo através da fricção de paus era algo simples também para ele. A farra de madrugada estava garantida. Eu me concentrava nos saborosos peixes e ele tanto saboreava o que cozinhava como aproveitava para dar um gole na garrafa de pinga que nunca esquecia quando “roubava-me” para fazer parte de suas aventuras pela madrugada.
Não sei como, talvez atraídos pelo cheiro dos peixes sendo cozidos na panela de barro deixada por “solidários boêmios”, bem como pelo odor, para mim insuportável, da cachaça que não faltava quando papai estava por perto, principalmente no rio Piancó e na bodega de Severino Pedro, logo o improvisado acampamento estava repleto de apreciadores de uma peixada com pinga, sendo a maioria moradora das redondezas que conheciam por demais Biró de Onofre. Confesso com franqueza que ainda não conheci alguém mais conhecido do que ele em seu torrão natal.
Depois de saciada a fome, geralmente vinha uma das partes que mais gostava. Papai preparava uma cama com folhas de jitirana, tendo seu ombro como travesseiro, momento que ele aproveitava para ensinar-me sobre o sertão, dizendo-me de quem eram os cantos dos passarinhos que pululavam pela madrugada, bem como cada uivo dos animais, apontando ainda, sem pestanejar, denominações vulgares das espécies vegetais próximas.
Biró conhecia como poucos cada entoação do canto da mãe da lua, das corujas, das peiticas, da temida rasga-mortalha de canto considerado fúnebre no sertão, do bacurau, etc.
A variedade de peixes encontrados no rio Piancó, na época, era tão impressionante, que vislumbrava a todos, enchendo os olhos a diversidade fantástica. Era grande a quantidade de piaus, tucunarés, traíras imensas, curimatãs, cascudos, piranhas, etc., que faziam a felicidade dos pescadores e boêmios.
Essa riqueza piscícola era garantia de suplemento alimentar à população de baixa renda que dependia bastante do que o rio Piancó oferecia. Essa profusão de peixes também era verificada no rio Piranhas, o qual recebe o Piancó logo além da forquilha das Junqueiras, seguindo seu curso para o vizinho Estado do Rio Grande do Norte.
Certa vez, quando de uma pescaria noturna com amigos, da qual não participei, Biró chegou em casa com o polegar direito quase partido ao meio. Sangrava bastante. Em um gesto inopinado, resolveu desalojar com as mãos imensa piranhas preta que escondera-se em uma afloração granítica localizada, na época, ao longo do leito do rio Piancó. A piranha preta, feroz e perigosa, levou a melhor na pescaria, terminando-a de forma tragicômica.
Biró conhecia ainda cada espécie de nossa flora tão ameaçada de extinção. Não apenas fazia uma catalogação mental referente a cada árvore e a cada arbusto, como sabia também a serventia de cada um para manter saudável a saúde do sertanejo ou de quem quer que fosse.
Luiz Gonzaga foi muito feliz quando gravou extraordinária e belíssima canção, a qual enfatiza de forma sublime que: “como é bonito a gente ver, em plena mata o amanhecer”. Biró de Onofre mostrou-me o sertão de corpo e alma, através de suas essências mais marcantes.
Parece até que ele se inspirava nesse hino sertanejo quando me levava para conhecer a natureza que rodeia nossa nação, nosso espaço, hoje, infelizmente, tão ameaçado pela intensiva ação antrópica.
É no amanhecer que o sertão se torna mais sertão, pois o cheiro inigualável das árvores nativas e das águas dos rios é percebido pelo olfato mais sensível daqueles que amam a região.
Quando das tradicionais vaquejadas ocorridas no mês de julho no Parque Manuel Arnaud, em Pombal, Biró transformava-me em um vaqueiro-mirim, pois fazia questão que eu ostentasse chapéu de couro, luvas, chibatinha e outros adereços integrantes da indumentária do grande herói do sertão.
Exímio aboiador, resultado de suas lidas no trato com o gado no Carro Quebrado, denominação toponímica da propriedade de Onofre Benigno Cardoso, herança do velho ourives Benigno Ignácio Cardoso D’ Arão, Biró desfilava comigo pelo chão de terra batida do Parque de Vaquejada pombalense, como troféu, entoando a sonoridade laborial do vaqueiro sertanejo.
Entusiasta da nossa cultura popular, levava-me à tradicional feira dos sábados em Pombal para ouvir cantadores e repentistas declamarem versos do Pavão Misterioso e de outros clássicos da literatura de bolso nordestina. Os folhetos de cordel foram despertando-me a atenção em razão da forma como viabiliza a produção poética do autêntico literato regional, pois a maioria é composta por seres humanos desprovidos de recursos, sem condições de publicar livros refinados.
A feira foi sendo-me revelada espetacularmente, pois tudo que havia da produção artesanal sertaneja encontrávamos com facilidade naquela época. Selas impecavelmente trabalhadas, arreios, botas e chapéus de couro, bem como de palha, chocalhos, feitos cuidadosamente por hábeis ferreiros, panelas de barro, jarras para colocar água, aguidares, lamparinas, quartinhas, bornais e peias de couro, etc. eram comercializados na feira de Pombal. Hoje, a globalização mudou muito o rumo das coisas, modificando os produtos que encontramos à disposição, não obstante ainda encontrarmos muito da cultura popular de nossa região sendo vendido no lócus livre da comercialização pombalense.
Incontáveis vezes fizemos o trajeto Sousa – Governador Dix-sept Rosado – Mossoró e vice-versa, nos vagões das composições férreas da saudosa estrada de ferro inaugurada em 1915. A velha terra do alho, do gesso e da cal era, geralmente, o destino mais procurado, pois marcas indeléveis estão fincadas por lá de forma mais efetiva e proeminente, não obstante ser batizado em Mossoró e na capital do oeste potiguar estarem fixados inúmeros familiares, tendo em vista que após a fragmentação e a marginalização das explorações de gesso e da cultura do alho e da cebola às margens do rio Apodi-Mossoró a migração de inúmeros dix-septienses para a segunda aglomeração urbana potiguar tenha se efetivado de forma intensa.
Festas de São Sebastião em Governador Dix-sept Rosado constituíram-se em um dos motivos de deslocamentos da Paraíba para o Rio Grande do Norte nas companhias de Biró de Onofre, de dona Lia e de dona Cora, sendo que essa última era minha tia paterna e mãe de criação.
Todas as noites, depois que dona Lia dava-me banho, ficava sentado em seu colo para esperarmos a chegada do vento refrescante de Aracati. Pedia-lhe para contar-me histórias do tempo da pedreira. Lembro-me bem de uma, referente a uma ema que apareceu nas imediações da exploração de gesso.
Disse-me que chamou um conhecido, compadre Bevenuto, para abater a imponente ave, conhecida como avestruz das Américas. Conforme relatou-me, era tão grande que foi preciso ser transportada nas costas de um burro.
Naquela época era comum bandos de emas e varas de porcos-do-mato serem vistos na chapada do Apodi. Hoje, infelizmente, não existem nem rastros desses animais nos seus habitats naturais. Foram extintos pela irresponsabilidade humana.
Naquele fatídico dia dois de agosto de 1976 eu parei, atônito, pois foi-se para sempre meu herói, meu ídolo, meu bandido, meu pai amado de quem nunca esquecerei. Hoje, quarenta anos sem a presença física de Biró de Onofre no plano terrestre, as transformações são intensas e visíveis no espaço que tanto amou.
O rio Piancó continua poluído, imundo, cheio de dejetos de toda espécie. Os peixes não existem mais em tamanha profusão como naquela época e os pássaros migraram para longe ou simplesmente desapareceram por que, entre outros motivos, a mata ciliar nativa foi derrubada para servir a fins diversos.
O que não muda é a saudade de abraçar novamente meu pai e dizer-lhe o quanto o amo e o quanto sou agradecido por todos os momentos que passamos juntos, pois foram importantíssimo para que meu fascínio pelo sertão se efetivasse da forma mais proeminente possível.


José Romero Araújo Cardoso.
Geógrafo. Escritor. Professor-Adjunto IV do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Especialista em Geografia e Gestão Territorial e em Organização de Arquivos. Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente. Sócio da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço (SBEC) e do Instituto Cultural do Oeste Potiguar (ICOP). Filho único de Severino Cruz Cardoso (Biró de Onofre) e de Maria de Lourdes Araújo Cardoso (Lia de Lourdes).

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Reflexão!!!


O tal respeito

Acredito em Deus, sou cristão católico e professo a minha fé perante a minha religião. Até reconheço que deveria fazê-lo melhor, com maior intensidade, mas todos os dias agradeço a Deus pelas muitas bênçãos que recebo, e diariamente peço-Lhe paz, saúde e felicidade para mim e para os meus. No entanto, respeito quem diz professar outra religião e quem até se diz ateu, agnóstico, descrente. Na verdade, até rezo silenciosamente por estes, lembrando-me sempre da parábola do pastor de ovelhas, que ficou muito feliz ao encontrar o animal perdido, cuja essência consiste no ensinamento de Jesus Cristo de que se deve buscar sempre aquela ovelha que está fora do rebanho. Enfim, respeito evangélicos, cristãos ortodoxos, cristãos anglicanos, islâmicos, ateus, etc.
Sou heterossexual e apaixonado por minha esposa. Porém, respeito qualquer opção de sexualidade de outrem, por entender que não é a sexualidade de alguém que irá definir o seu caráter. Aliás, a pessoa sem-caráter ou de mau-caráter pode ser homem, mulher, heterossexual, bissexual, homossexual, ou de outro gênero. Não concordo com o exibicionismo que se possa ter ou fazer em nome da sexualidade, seja de qual for o gênero ou opção sexual. No mais, respeito.
Etnicamente sou negro, graças a Deus, e tenho grande orgulho disso. A menor exibição ao sol até me rendeu uma cor meio parda, mas continuo negro, de sangue e de alma. Se meu bisavô Manoel Fernandes Jales era branco, a genética de minha bisavó Maria Cândida de Almeida preponderou em grande parte da descendência de nós do Junco de Cima. Meus pais não eram brancos. E, por ser negro, sofro com a pequenez daqueles que ainda acham que a cor da pele é critério diferencial, que ela determina quem é melhor ou quem é pior. Ainda sofro com o pensamento retrógrado de quem ainda escuta o chicotear na pele do negro no pelourinho armado em praça pública ou nos arredores da senzala ou da casa grande. Ainda me dói ver corriqueiramente serem noticiados na grande imprensa casos de ofensas raciais. Enfim, ainda falta, a nós negros, o devido respeito.
Sou trabalhador, graças a Deus. Aliás, venho de família humilde e de trabalhadores e na minha célula familiar tenho uma esposa que trabalha, e muito. Orgulhosamente podemos dizer que nosso pão, abençoado por Deus, é suado. E respeito toda e qualquer forma de trabalho honesto, que garanta ao seu executor não apenas o alimento, mas a própria dignidade.
Casei-me pela segunda vez, e graças a Deus tenho quatro lindos filhos, sendo três biológicos e uma decorrente da afetividade, algo hoje em dia até reconhecido pelo Poder Judiciário como elemento de constituição de parentesco.
Irrestritamente, procurei educar esses filhos com base nos valores sociais, morais e religiosos que acreditamos, ensinando sempre o que é correto, para que ao longo da vida possam diferenciar e se afastar do que é errado. Nessa educação, está inserido o respeito que se deve ter na vida em sociedade.
Vivo por eles, para eles, pensando neles, sempre agradecendo a Deus pela família que Ele me permitiu constituir. De todos os desrespeitos que podem me atingir, mais me dói aquele que vier a atingir a minha família.
E digo isso porque, nessa vida, parafraseando um velho amigo poeta e escritor dos bons, não me sinto melhor nem pior do que ninguém, mas exatamente igual.
Infelizmente, porém, ainda há aquelas pessoas que se acham melhores ou maiores do que outras. Para disfarçar, inventam subterfúgios, mas no fundo se comportam com indiferença por se acharem melhores. Outros nem disfarçam, e simplesmente se acham melhores que seus pares sociais.
Enfim, está faltando o tal respeito.
Dedico esses pensamentos vagos aos meus filhos, por quem tenho, além do amor, enorme respeito, para que ao longo da vida também se comportem com ele, o respeito, sempre na obediência ao Senhor Nosso Deus. Aliás, o respeito é próprio de quem ama, pois não se admite amor sem que haja respeito.
Em nome desse respeito, nem pisem, nem se deixem pisar; nem se sintam melhores do que ninguém, nem também menores do que ninguém, mas exatamente iguais.

De qualquer forma, perdoar é preciso, afinal, somos cristãos.

E que Deus nos abençoe!

Alcimar Antônio de Souza

Docentes da UERN avaliam movimento grevista e continuam na luta contra atrasos salariais


Professores e professoras da UERN  se reuniram em assembleia na manhã de hoje (04) para avaliar o movimento paredista na universidade e encaminhar estratégias de luta para fortalecer a greve.
Os servidores destacaram a  importância da ação unificada junto ao Sindsaude, que está em greve desde do dia 13 de Novembro, e a necessidade de aglomerar  um maior número de professores e professoras às ações. A luta contra os atrasos salariais continua sendo a principal pauta dos servidores e servidoras, que ainda não receberam os salários de novembro, dezembro e o 13º.
A Diretora da ADUERN, Ana Lúcia Gomes, rememorou a ocupação na Governadoria e na Secretaria de Planejamento (SEPLAN). Ela lembrou que o movimento foi muito vitorioso e provou a força e resistência dos trabalhadores e trabalhadoras do Estado. Ana Lúcia ponderou que novas ações de greve precisam ter maior participação da categoria, para que possam garantir resultados positivos.
A professora Ivonete Soares destacou a importância da realização de assembleias periódicas para avaliar a greve, permitindo que toda a categoria possa debater a conjuntura política colocada e opinar sobre os rumos do movimento.
A diretora do Sindsaude, Rosália Fernandes, participou da assembleia e  destacou o ganho político que tem sido a greve unificada entre UERN e Saúde. “Esta greve tem mostrado a capacidade de luta que temos se estivermos juntos. Precisamos ampliar isso, convocando as demais categorias a parar este Estado em uma grande greve geral que garanta nossos salários em dia”, avaliou.

ESCOLHA – A Assembleia também escolheu delegados para o 37º congresso do ANDES/SN. Através de votação, foram escolhidas como titulares os docentes Rosimeiry Florêncio e Lemuel Rodrigues. Na suplência foram definidos os nomes de Luana Paula, Janaina Dantas, Ana Lúcia Gomes, Zacarias Marinhos e Josenildo Morais.
Fonte: ADUERN.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Folha de novembro dos servidores do RN será concluída no sábado

O Governo do RN encerrará a folha de pagamento do mês de novembro no sábado (06), pagando os salários de quem ganha acima de R$ 4 mil.

O Poder Executivo permanece com o trabalho para a confirmação de receitas para anunciar os pagamentos de dezembro e 13º salário o mais breve possível.

Artigo: A próxima decisão

Por François Silvestre*

A próxima decisão da justiça, ouvidos todos os ministérios públicos, federal, estadual, de contas e de contos será proibir o governo de pagar os salários atrasados de quem ainda não recebeu sequer Novembro.
Venha o dinheiro de qualquer fonte, não poderá pagar.
Será uma decisão para assegurar recursos aos beneficiários dessas categorias, que “legalmente” recebem vencimentos acima do teto constitucional.
Somados todos os tipos de auxílios disponíveis no vernáculo da sabedoria.
Mas o que é um policial diante de um promotor? Nada. O que é um professor diante de um juiz? Nada. O que é um médico diante de um conselheiro de contas? Nada.
Uma coisa é o Brasil do primeiro mundo, com togas e salamaleques a desfrutarem férias em Paris e Nova York. Outra coisa é a ralé. Metida e ingrata, que não vê essa gente sofrida montando processos, fazendo julgamentos e audiências do vazio.
Suados com tanta roupa preta, que nem o ar condicionado evita o auxílio-refrigeração.
A ralé, que antigamente chamava-se povo, que se exploda.
E deixe o Brasil bacharelar-se com toda a pompa de um país do futuro. Mesmo sem futuro….
*O autor é escritor, Procurador aposentado do Estado do Rio Grande do Norte e ex-secretário de Estado na gestão da então governadora Wilma de Faria.
Fonte: www.blogcarlossantos.com.br

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Servidores públicos farão ato unificado em Mossoró contra atrasos salariais nesta quarta

Servidores estaduais de diversas categorias se reúnem nesta quarta-feira (03) em um ato público unificado, denunciando a falta de pagamento dos salários de novembro, dezembro e do 13º.

A manifestação terá início às 8h na Reitoria da UERN (R. Dr. Almino Afonso, 478 – Centro) , de onde os servidores e servidoras saem em caminhada até a Praça da Independência (Mercado Central).
Após panfletagem, as categorias partem para o Hospital Regional Tarcísio Maia (HRTM), onde realizam um ato unificado com os trabalhadores e trabalhadoras da unidade de saúde.

Com salários atrasados e sem 13º, servidores da saúde do RN iniciam 2018 em greve

A saúde do Rio Grande do Norte completou 50 dias de greve no primeiro dia do ano. O ano de 2017 acabou, mas têm servidores que ainda não receberam o salário de novembro e nem o 13º salário.

“A folha de dezembro nem se fala, só foi paga até agora aos servidores da ativa de órgãos da administração indireta e da educação, que têm recursos próprios. Os demais servidores, aposentados e pensionistas, contudo, continuam sem receber. O Governo anunciou que só deve concluir a folha, apenas no dia 30 de janeiro”, informa Sindsaúde-RN.

Concursos públicos abrem 162 mil vagas em todo Brasil

O ano novo traz boas perspectivas para quem sonha em ser aprovado num concurso público, com número recorde de editais e vagas. Espera-se a abertura de 162 mil vagas na administração pública, quase o dobro das 85 mil oportunidades oferecidas em 2017. Há cargos em todo o país, no Legislativo, Executivo e Judiciário, e a remuneração pode ultrapassar os R$ 20 mil.

De acordo com a Associação Nacional de Proteção e Apoio ao Concurso Público (Anpac), responsável pelo balanço dos certames, o crescimento no número de postos públicos de trabalho tem relação com a necessidade de recomposição do quadro efetivo, defasado depois de três anos de vacas magras no setor público.
Neste ano, o governo federal anunciou que destinará R$ 600 milhões do orçamento para concursos públicos. Os mais esperados pelos candidatos são o do Ministério Público da União (MPU), da Polícia Rodoviária Federal (PRF), da Polícia Federal (PF) e Receita.

Patu: mini-reforma administrativa

O Prefeito Rivelino Câmara confirmou na tarde desta terça-feira (02), que fará uma mini reforma administrativa em diversos setores do governo municipal. “Iremos empossar novos secretários, bem como outros cargos administrativos em diversos setores”, disse.

Os novos nomes e os setores que passarão por mudanças, serão anunciados por Rivelino nesta quarta-feira (03) às 15h na Câmara Municipal de Vereadores.

Fonte: Blog do Robson Pires.

Ato unificado reúne servidores públicos em Mossoró na luta contra atrasos salariais

Servidores estaduais de diversas categorias se reúnem amanhã (03/01) em um ato público unificado, denunciando a falta de pagamento dos salários de novembro, dezembro e do 13º.
A manifestação terá início às 8h na Reitoria da UERN (R. Dr. Almino Afonso, 478 – Centro) , de onde os servidores e servidoras saem em caminhada até a Praça da Independência (Mercado Central). Após panfletagem, as categorias partem para o Hospital Regional Tarcísio Maia (HRTM), onde realizam um ato unificado com os trabalhadores e trabalhadoras da unidade de saúde.
 Os servidores públicos do RN não recebem salários em dia desde Janeiro de 2016. De lá pra cá o Governo de Robinson Faria vem dilatando ainda mais a data para pagamento das categorias, que ainda aguardam pelos vencimentos de novembro/17, Dezembro/17 e do 13º.
A UERN entrou em greve no dia 10 de Janeiro, após uma assembleia que contou com a participação de mais de 250 professores e professoras, que aprovaram por ampla maioria o movimento paredista na instituição.
ASSEMBLEIA – Na quinta-feira (04), docentes da UERN se reúnem em assembleia geral para avaliar a greve e pensar as estratégias de luta para garantir o pagamento dos salários em dia. A assembleia terá início às 9h, na sede do sindicato, em Mossoró.

Tarifa branca pode baratear conta de luz a partir desta segunda




A partir desta segunda-feira (1º) uma nova modalidade tarifária de energia elétrica estará disponível para consumidores com média mensal superior a 500 quilowatt/hora (kWh) e para novas ligações. É a tarifa branca, que mostra a variação do valor da energia conforme o dia e o horário do consumo e será oferecida para unidades consumidoras que atendidas em baixa tensão, como residências e pequenos comércios.
Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), todas as distribuidoras do país deverão atender aos pedidos de adesão à tarifa branca das novas ligações e dos consumidores com média mensal superior a 500 kWh.
A tarifa branca dá ao consumidor a possibilidade de pagar valores diferentes em função da hora e do dia da semana em que a energia elétrica é consumida. Se o consumidor usar a energia elétrica nos períodos de menor demanda, como pela manhã, início da tarde e de madrugada, por exemplo, o valor pago pela energia consumida será menor.

Forças Armadas restauraram a ordem no Rio Grande do Norte, diz Jungmann




Durante entrevista coletiva na tarde desta segunda-feira (1°), em Natal, no Rio Grande do Norte, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, fez um balanço da atuação das Forças Armadas no estado nos últimos três dias e disse que o quadro de violência que aterrorizou a população potiguar nas últimas semanas, desde o início da greve de policias militares, civis e bombeiros, está sob controle.
“Todos os indicadores, seja de morte, roubo, assalto, seja o que for, todos caíram verticalmente. Ou seja, o que nós prometemos ao povo do Rio Grande do Norte, nós entregamos”, disse Jungmann.
Desde o início da paralisação, no dia 19 de dezembro, até a manhã de domingo (31), 94 mortes violentas haviam sido registradas no estado, a maioria na região metropolitana de Natal e Mossoró. Somente na última sexta-feira (29), antes do início da Operação Potiguar III, das Forças Armadas, 18 mortes foram contabilizadas.

Governo do RN diz que vai prender policiais que colaboram com greve

Em entrevista coletiva nesta segunda-feira (1), a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Rio Grande do Norte (Sesed) e o Comando Geral da PM informaram que a partir desta terça-feira (2) irão cumprir a decisão judicial decretada pelo desembargador Cláudio Santos, do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN), que determina a prisão de policiais que incitem e defendam a paralisação no estado, que foi iniciada no dia 19 de dezembro.

A secretária da Sesed, Sheila Freitas, entende que é crucial o fim da paralisação dos policiais civis e militares. Como justificativa, ela cita as duas ordens judiciais que determinam a volta imediata dos servidores aos postos de trabalho. A primeira foi decretada pela desembargadora Judite Nunes no dia 24 de dezembro, que considerou o movimento ilegal e, a mais recente, estabelecida pelo desembargador Cláudio Santos, neste domingo (31), que determina punições para os servidores que colaborarem com a paralisação.

Caramuru Paiva recebeu Homenagem em Patu


EM PATU CARAMURU PAIVA RECEBEU O PRÊMIO MELHORES DO ANO. Na última sexta (29), o município de Patu foi mobilizado com o Prêmio Melhores do Ano de 2017 onde através do Instituto de Peesquisa "Logus" foram escolhidos pela opinião pública os destaques do ano nos setores de comércio, serviço, servidores públicos e profissionais liberais. Algumas pessoas foram premiadas de forma especial pelos serviços prestados ao Rio Grande do Norte. Segundo, o organizador Mozart Maranhão este foi o caso do Engenheiro Agrônomo Caramurú Paiva. Ainda de acordo com a organização, a homenagem resgatou o grandioso trabalho que Caramurú Paiva realizou por todo o Estado quando foi Delegado Federal do MDA no Rio Grande do Norte. 
“Os programas conduzidos por Caramurú Paiva chegaram em todos os municípios do Estado como o PRONAF, o programa garantia safra, o compra direta, o crédito fundiário e o PAC máquinas”, disse Mozart. Caramuru Paiva parabenizou a todos os homenageados da noite e disse que momentos como estes reforçam e valorizam os homens e mulheres que estão promovendo e defendendo o desenvolvimento da Região Oeste Potiguar a partir de iniciativas empreendedoras. “Eu dedico este prêmio a todas as pessoas que carregam a utopia do bem comum”, agradeceu Caramurú Paiva.

Fonte: Blog Gente de Umarizal.

Feliz Ano Novo!!