quinta-feira, 19 de abril de 2018

História do Açude do Paulista - Patu-RN

Em um passado muito distante a família Leite, através do seu patriarca, Etelvino Leite, possuía uma grande quantidade de terras localizadas entre os municípios de Patu e Olho D'água do Borges. O senhor Etelvino Leite vendeu essas terras há vários proprietários rurais, como o Coronel Oliveira Rocha e o senhor Vicente Felipe de Moura, entre outros. Nessas terras passava um riacho denominado de Paulista, onde na época do inverno por ele percorria grande quantidade de água. Nos idos dos anos 70, sendo prefeito de Patu o senhor Lourival Rocha e o governador do Estado do Rio Grande do Norte, Cortez Pereira, deram início a construção da estrada ligando Patu a Olho D'água do Borges, hoje denominada de RN 117. A RN 117 teria de cortar o Riacho Paulista, então foi preciso construir uma ponte sobre o mesmo.
A estrada serviu de parede e desta forma um açude foi construído no leito do Riacho Paulista, sendo ainda construído o sangradouro que fica localizado abaixo da ponte do Riacho Paulista, hoje é a ponte sobre a parede do Açude do Paulista. Em 30 de março de 1973 o Governador Cortez Pereira e sua comitiva chegava de avião a Patu, onde o mesmo aterrizou no Campo de Pouso da Fazenda Lajes. Na oportunidade o Governador Cortez Pereira, juntamente com o coronel Mauro Luiz Gomes dos Santos vieram a Patu para a inauguração da 3ª Cia de Policia Militar, pertencente ao 2º Batalhão de Polícia Militar. Após a inauguração da 3ª Cia de Policia Militar todos foram para inauguração do Açude do Paulista. Segundo relato em cartas de dona Carmelita Rocha, esposa do Coronel Oliveira Rocha, ele mandou fazer uma cerca e pintar as estacas todas de branco e limpou o leito do açude, até onde é terra dele.
As águas do açude do Paulista beneficiaram pela vazante vários proprietários de terras daquela localidade, como podemos citar o próprio Joaquim de Oliveira Rocha, Vicente Felipe de Moura, Luiz Felipe e Sebastião Felipe. Além do mais, abasteceu a cidade de Patu até o momento em que a tubulação seria estendida ao açude do Tourão, devido sua maior capacidade. Infelizmente as tubulações não chegaram ao açude Tourão para o abastecimento da cidade de Patu deixando a mesma em colapso. O grande consumo de água, ocasionado pelo crescimento da cidade, parecia ter solução apenas através da adutora que traria água da Barragem Armando Ribeiro Gonçalves de Assu. Na realidade até hoje não se encontrou uma solução adequada e permanente para o problema da falta de água de Patu.
No ano de 1996 o Açude do Paulista teve uma grande cheia onde o mesmo transbordou fazendo a alegria de toda a cidade. Depois de um longo período de estiagem, mais de dez anos, o Açude do Paulista veio transbordar no ano de 2008. Nesse ano o inverno em Patu foi muito intenso, bem como em toda região. Naquele ano o registro pluviométrico, segundo a EMPARN, foi de 1.397 milímetros, ou seja, quase o dobro da média do Nordeste que gira em torno de 700 milímetros.
No início do mês de abril de 2008 foram registradas fortes chuvas em Patu de 118, 126 e 141 milímetros onde encheram vários açudes do município como: Pé da Serra, Vicentinho e Morada Nova, todos eles trasbordaram para o açude do Paulista que rapidamente encheu. No dia 04 de abril de 2008 por volta das 23:55 h o açude do Paulista iniciou sua sangria trazendo muita alegria pois o mesmo fazia muito tempo que não transbordava. 
No dia (08/04/2008) choveu forte em Patu, no momento da chuva surgiu uma notícia na cidade do possível arrombamento do açude de propriedade do senhor Antônio Suassuna, localizado no Pé da Serra do Lima. Na época a polícia fez um alerta a todos os moradores dos bairros Epitácio Andrade (Fomento) e Nova Patu sobre a situação. Muitos dormiram em escolas e na Capela de Santa Teresinha. O açude de Vicentinho, na época, recebeu reforço da empresa responsável pela obra que estava sendo feita na BR 226, trecho Patu-Almino Afonso onde foram colocadas pedras nos locais dos sangradouros.
O açude do Paulista continuava transbordando e recebendo mais águas, pois as chuvas continuavam fortes naquele mês de abril de 2008. Às margens da RN 117 estava tudo alagado com a sangria do açude que abriu outro espaço, onde uma parte do sangradouro rompeu abrindo valas para outros locais, sendo um sinal de alerta para o açude da Fazenda Lajes.
As águas começaram a escavar a parede do açude do Paulista e assombrou a população de Patu pois havia riscos de arrombamento. Na manhã do dia (09/04/2008), uma equipe formada por policiais militares de Patu, como o  Capitão Gurgel, Subtenente Apolinário, Sargento Armendes, Cabo Benjamim e muitos voluntários da cidade como a pessoa de Shaiche irmão de Sheyla, José Ernesto Sobrinho "Zé Doido" e muitos outros iniciou a abertura de uma valeta do outro lado do açude, tendo essa iniciativa tomada pelo policial Antônio Apolinário, que vendo o perigo foi até a residência do prefeito Possidônio Queiroga,  que era perfeito a época, juntamente com os companheiros da Polícia Militar, e após ele tomar conhecimento autorizou a compra de várias enxadas e chibancas e dessa forma fizeram a abertura de uma valeta que amenizou muito a força das águas pela parede, enquanto a escavadeira que tinha sido solicitada não chegava, tendo essa máquina chegado nas primeiras horas da tarde. A escavadeira da Empresa EIT - Empresa Industrial Técnica - trabalhou vários dias para evitar que a água atingisse a parede do açude. A população de Patu acompanhava tudo da ponte do açude, preocupada com aquela situação de risco de arrobamento do mesmo, fato esse que chamou a atenção também da imprensa que passou a informar noticias para todo o estado sobre a situação de alerta da cidade de Patu, com relação às fortes chuvas caídas no município, onde recebeu a cobertura jornalística dos seguintes veículos de comunicação: Jornal de Fato, TV Ponta Negra, Inter TV Cabugi, Gazeta do Oeste, Jornal O Mossoroense, Correio da Tarde, Blog do Campelo, Blog da Paróquia de Patu, Blog do Márlio Fortes e Blog da Folha Patuense, entre outros. No dia 10 de abril de 2008 o Açude Tourão também transbordava, onde há vinte anos anos não chegava a esse intento, o mesmo chegou a uma lâmina de água de mais de 50 cm sobre o seu sangradouro.
Aquele mês de abril de 2008 ficou registrado na história de Patu como das grandes chuvas caídas no município onde as mesmas ameaçaram o açude do Paulista de ser arrombado. Agora em 2018 o Açude do Paulista está recebendo um bom volume de água e sua sangria é aguardada para os próximos dias. Aqui relatamos um pouco da história do Açude do Paulista, assim denominado em virtude do antigo riacho Paulista que deu origem ao seu nome, bem como é o açude mais querido do município de Patu que apesar de está localizado em terras de particulares a população de Patu já adotou o mesmo como público.

Reportagem: Aluísio Dutra de Oliveira.
Colaboradores: Silvano Schoenberger, Mirian Rocha, Dona Carmelita Rocha “In Memorian e Sandoval Dutra.
Fotos: Aluísio Dutra de Oliveira.


Coronel Oliveira Rocha e Dona Carmelita Rocha


Vicente e Tião Felipe


Aluísio Dutra - Sangria do Açude do Paulista ano de 1996 


Dona Carmelita Rocha - Esposa do Coronel Oliveira Rocha


Ponte sobre o Açude do Paulista




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