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quarta-feira, 6 de maio de 2026

Especial: A Eclosão da Revolução de 1930: A Tomada do 22º Batalhão de Caçadores e a Morte do General Lavenère Wanderley

 Por: José Tavares de Araújo Neto.



Com o assassinato do presidente João Pessoa Cavalcante de Albuquerque, em 26 de julho de 1930, o governo federal passou a intervir diretamente na situação política da Paraíba, com o objetivo de promover a pacificação. O presidente Washington Luís adotou medidas destinadas a conter o movimento liderado por José Pereira Lima. O general Alberto Lavenère Wanderley, comandante da 7ª Região Militar, sediada em Recife, recebeu a incumbência de atuar na Paraíba com a finalidade de restabelecer a ordem. Para isso, deslocou-se ao estado e manteve contatos com o presidente paraibano Álvaro de Carvalho, bem como com o coronel José Pereira Lima, líder da sublevação de Princesa. Em comunicação telegráfica dirigida a José Pereira Lima, o general informou que, para o cumprimento da missão, seria necessária a ocupação de Princesa por forças do Exército, solicitando a adoção de providências que facilitassem sua execução. A atuação de Lavenère Wanderley foi objeto de críticas por parte de setores políticos ligados ao grupo de João Pessoa. Em sua edição de 16 de setembro de 1930, o jornal Diário da Manhã (Recife), pertencente aos irmãos aliancistas Caio Lima Cavalcanti e Carlos de Lima Cavalcanti, publicou matéria, com base em entrevista concedida pelo advogado Odon Bezerra, na qual se afirmava que integrantes do movimento de Princesa permaneciam armados e que havia aproximação entre tropas federais e os homens de José Pereira Lima, atribuindo ao general comportamento descrito como “promiscuidade” no trato com os chamados “libertadores”, que teriam permanecido por cerca de cinco meses em armas contra o poder legal da Paraíba. Paralelamente, o movimento revolucionário avançava em diferentes regiões do país. Levantes militares foram iniciados em 3 de outubro, com adesão de unidades no Sul e em Minas Gerais. Na capital paraibana, o 22º Batalhão de Caçadores concentrava o comando militar federal. Lavenère Wanderley encontrava-se na unidade, juntamente com o coronel Maurício Cardoso, quando chegaram informações acerca do início do movimento revolucionário em outras guarnições. Essas informações foram transmitidas por meio de comunicações telegráficas provenientes de regiões onde unidades militares já haviam aderido ao levante. Na madrugada de 4 de outubro de 1930, o início das operações na Paraíba ocorreu em condições distintas das originalmente previstas, em razão de alteração no horário do levante em relação ao restante do país, o que exigiu adaptações na execução das ações. No interior do 22º Batalhão de Caçadores havia um núcleo de oficiais comprometidos com o movimento revolucionário. Entre eles encontrava-se o oficial de dia, o tenente Agildo Barata, que interceptou e decodificou telegramas dirigidos ao comando militar, informando a eclosão do movimento em outras regiões. Por volta de 0h30, o levante foi iniciado no interior da unidade. Agildo Barata (pai do humorista Agildo Ribeiro) dirigiu-se ao general Lavenère Wanderley e deu-lhe voz de prisão. Segundo essa versão, o general reagiu efetuando disparos de arma de fogo, os quais foram imediatamente respondidos. No confronto subsequente, foi atingido no ventre. Após o início da ação, o confronto generalizou-se no interior do quartel, com troca de tiros entre militares. O combate resultou em baixas, incluindo o tenente Paulo Lobo e os ajudantes de ordens do general, os tenentes Sílvio Silveira e Paulo Reis. Com o avanço das operações, os revolucionários assumiram o controle do 22º Batalhão de Caçadores. Nas horas seguintes, outras unidades militares localizadas na Paraíba aderiram ao movimento, com exceção do destacamento estacionado em Princesa, que se retirou em direção ao território pernambucano. O general Lavenère Wanderley foi socorrido e encaminhado ao Hospital Santa Isabel, onde foi submetido a intervenção cirúrgica, vindo a falecer no mesmo dia; posteriormente, foi promovido post mortem ao posto de general de divisão em 15 de outubro de 1930. Em entrevista concedida aos pesquisadores Maria Antônia Alonso Andrade e Humberto Cavalcanti de Mello, realizada entre maio de 1978 e agosto de 1980, o tenente-coronel Manuel Arruda apresentou relato fundamentado em narrativas orais que afirmou ter ouvido de Juracy Magalhães, participante do episódio. Nesse depoimento, descreveu as circunstâncias em que teria ocorrido a morte do general Lavenère Wanderley, durante a tomada do 22º Batalhão de Caçadores, atribuindo ao tenente Agildo Barata a autoria do disparo que resultou no óbito. Durante a invasão ao 22º Batalhão de Caçadores, Agildo Barata, descrito por Manuel Arruda como “elemento perigoso”, dirigiu-se ao aposento do comandante, armado com uma pistola do tipo Parabellum, ordenando que o general levantasse os braços. Em seguida, teria efetuado um disparo à queima-roupa. Arruda registra ainda que, após o disparo, o primeiro-tenente Juracy Magalhães, que exercia a função de oficial de dia e tinha conhecimento do plano, realizou disparos de metralhadora para o alto, com o objetivo de simular uma reação. Os acontecimentos da Paraíba foram inquestionavelmente fatores decisivos para o desencadeamento da Revolução de 1930. A Revolta de Princesa, o assassinato de João Pessoa e a tomada do 22º Batalhão de Caçadores constituíram episódios sucessivos que, encadeados, deram forma ao movimento revolucionário, cujos desdobramentos alteraram a trajetória política do país. 

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