quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Contribuição de Carlos George Sobre Dengue


CONTRIBUIÇÃO SOBRE DENGUE – não é resposta ao comentário de Epitácio Filho.
Não quero polemizar sobre os riscos de se contrair dengue na zona Rural, até mesmo porque este blog não deve ficar aceitando trocas de comentários sobre uma questão técnica entre apenas dois leitores, desta forma como técnico do programa estadual de controle da dengue coloco algumas informações que são de fundamental importância no que se refere ao agravo dengue.
Inicia o ano e aumenta as preocupações em relação à dengue, pois neste período ocorrem as condições favoráveis ao desenvolvimento do Aedes aegypti mosquito transmissor da dengue, ou seja, ocorrência de chuvas e elevadas temperaturas. Neste momento é necessário que a população e principalmente o poder público municipal faça sua parte.
Cabe ao poder público Municipal as ações de controle, e neste sentido o município deve realizar as ações que estão nas Diretrizes Nacionais para a Prevenção e Controle de Epidemias de Dengue - DNPCED, (documento do Ministério da saúde www.saude.gov.br) na qual cito apenas as atividades de controle vetorial:
1.    Pesquisa larvária amostral, bimestral com tratamento e levantamento de infestação 
2.    Visita domiciliar bimestral em 100% dos imóveis.
3.    Pesquisa larvária nos pontos estratégicos (oficinas...), em ciclos quinzenais,
4.    Atividades de educação e comunicação, com vistas à prevenção e controle da dengue pela população.
5.    Articulação com órgãos municipais de limpeza urbana, tendo em vista a melhoria da coleta e a destinação adequada de resíduos sólidos.
6.    Articulação com outros órgãos municipais governamentais e entidades não governamentais, tendo em vista a atuação intersetorial.
7.    Realização do bloqueio da transmissão, quando necessário
8.    Manter a relação de pelo menos 1 agente de endemias para 800 a 1000 imóveis.
O maior problema de dengue é que os Municípios não realizam os trabalhos minimamente como preconizados pelo Ministério da Saúde, conforme descrito DNPCED, e após instalada a epidemia recorrem ao uso de UBV (tratamento químico com uso de inseticida os chamados carros fumacê), para conter de forma emergencial as epidemias.   
COMPORTAMENTO DO Aedes aegypti E SUAS PREFERÊNCIAS
Fonte: Instituto Osvaldo Cruz  (http://www.fiocruz.br)
Hábitos de vida do Aedes aegypti
O A. aegypti é um mosquito doméstico, vive dentro ou ao redor de domicílios ou de outras construções freqüentadas por pessoas. Está sempre perto do homem e não se aventura às matas, por exemplo. Tem hábitos preferencialmente diurnos e alimenta-se de sangue humano, sobretudo ao amanhecer e ao entardecer. Mas, como é oportunista, pode picar à noite.
Fatores influenciam a infestação pelo vetor da dengue
O A. aegypti é um mosquito antropofílico, isto é, ele vive perto do homem. Por isso, sua presença é mais comum em áreas urbanas e a infestação é mais intensa em regiões com alta densidade populacional e, principalmente, de ocupação desordenada, onde as fêmeas têm mais oportunidades para alimentação e dispõem de mais locais para desovar. A infestação por A. aegypti é sempre mais intensa no verão, (aqui no Nordeste coincide com o período chuvoso) em função da elevação da temperatura e da intensificação de chuvas – fatores que propiciam a reprodução do mosquito. Para evitar esta situação, é preciso adotar medidas permanentes para o controle do vetor, durante todo o ano, a partir de ações preventivas de eliminação de focos do A. aegypti. Como o mosquito tem hábitos domésticos, essa ação depende sobretudo do empenho da população.
Relação entre infestação de dengue e áreas desmatadas
Os maiores índices de infestação pelo A. aegypti são registrados em bairros com alta densidade populacional e baixa cobertura vegetal, onde o mosquito encontra alvos para alimentação mais facilmente. Outro fator importante é a falta de infra-estrutura de algumas localidades. Sem fornecimento regular de água, os moradores precisam armazenar o suprimento em grandes recipientes, que na maioria das vezes não recebem os cuidados necessários e, por não serem completamente vedados, acabam tornando-se focos do mosquito. Os esforços para o controle da proliferação do mosquito da dengue certamente estão relacionados a medidas do governo, mas o comprometimento da população em eliminar criadouros domésticos é fundamental.
De acordo com dados da SESAP/RN, o estado do Rio Grande do Norte de forma geral não tem problemas de dengue na Zona Rural, somente em casos isolados como, por exemplo, Serra do Mel, que apresenta Zona Rural formada por Vilas. 
Vale lembrar que em alguns casos identificados, como os da Zona Rural, é necessária uma investigação para confirmar se o caso é autóctone (contraiu na própria comunidade), pois em muitos casos, devido ao hábito diurno de vetor, o mesmo pode ter sido contraído na Zona Urbana devido ao fluxo dos moradores e confundido como se fosse Rural.    
Para finalizar, o debate sobre a importância da dengue na zona rural, pode ser levado em consideração se a comunidade rural for populosa e houver características semelhantes à periferia de cidades, fato que não ocorre na zona Rural de Patu, podendo até ocorrer alguns casos isolados que não tem importância, ou não se configura como epidemia.
Carlos Georg Eng, Agr. Técnico do Programa Estadual de Controle da Dengue SESAP/RN


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