quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

História do Coronel João Dantas e seu Inimigo, o Cangaceiro Jesuíno Brilhante.

Uma parte da história de Patu se encontra em ruína. Trata-se da casa que foi de propriedade do Coronel João Dantas de Oliveira, localizada no Sítio Patu de Fora, zona rural do município. O coronel João Dantas faz parte da história de Patu por seu envolvimento com cangaceiro Jesuíno Brilhante. A casa do coronel é vista como tenebrosa e mal-assombrada. Segundo relatos contidos nos livros “O Cangaceiro Romântico”, do escritor Raimundo Nonato, e “História do Município de Patu”, do historiador patuense Petronilo Hemetério Filho, o coronel João Dantas de Oliveira foi destaque na história de Patu, principalmente no seu envolvimento com o cangaceiro Jesuíno Brilhante, quando ele se aliou ao facínora a fim de que houvesse condições do cangaceiro atacar a cadeia de Pombal, objetivando libertar o irmão e o pai que ali se encontravam prisioneiros.
O chefe de Polícia do Estado da Paraíba, Major Antônio Aranha Chacon, no inquérito que fez contra os responsáveis pelo assalto à cadeia da cidade de Pombal (PB), em seu relatório ao Governo da Paraíba, acusou dois oficiais da polícia, do destacamento local, como coniventes com o atentado, por terem facilitado o acesso de Jesuíno Brilhante àquele presídio, onde fez o que quis, soltando inclusive os presos.

A Vinda do Coronel João Dantas Para Patu


Diz o inquérito que o coronel João Dantas de Oliveira foi responsável pelo êxito do atentando porque sabia de tudo e ao invés de preparar a resistência, relaxou o policiamento da cidade na noite do assalto. O chefe de polícia continuou em seu relatório, dizendo ao Governo da Paraíba que havia prendido o alferes Eustáquio, mas não conseguira prender o coronel João Dantas, que se evadira para fora da província, fato esse que teria feito ele a se acoitar no sítio Patu de Fora, município de Patu-RN.
De acordo com o relato dos historiadores no município, o coronel João Dantas era perverso, sempre vivia rodeado de um grande número de pessoas armadas e talvez criminosas. Segundo o major Antônio Aranha Chacon, o coronel João Dantas vivia protegido por amigos e políticos da época e sempre gostou de possuir preponderância política em todos os negócios da comarca. Segundo relata o livro História do Município de Patu, o coronel João Dantas, certamente, tornou-se amigo íntimo do cangaceiro Jesuíno Brilhante pela oportunidade que lhe proporcionou, facilitando o ataque à cadeia de Pombal-PB, por Jesuíno Brilhante e seus cabras. Dizem até que o coronel João Dantas comprou a propriedade Patu de Fora por indicação do amigo do Tuiuiú, Jesuíno Brilhante. O inquérito contra o Coronel João Dantas não deu em nada, os bandido ficaram impunes e, diante desse fato grave e impressionante, o professor Juvêncio da Costa Volpis Alba, denunciou o fato pelos jornais “O Publicador” e o “Diário de Pernambuco”. O referido professor chamava a atenção das autoridades da Província, as quais não deveriam se fazer esquecidas na apreciação da atitude comprometedora do comandante João Dantas de Oliveira, daquele revoltante atentado.
Segundo os relatos, o Coronel João Dantas era prepotente e não admitia oposição à sua pessoa. Seria grande temeridade acusar ou criticá-lo. O artigo do professor Juvêncio da Costa Volpis Alba teria ferido em cheio a sensibilidade do coronel. Ao ler o artigo denunciando o mesmo no jornal ele teria ficado irritado com o fato e por esse motivo mandou chamar Jesuíno Brilhante, lhe propondo matar o professor. Jesuíno se negou a fazer o serviço porque certa vez o referido professor defendera seu pai como advogado. Mas o coronel não desistiu de seu intento, mandou seus dois filhos, Alpiniano e José, e mais um escravo para sacrificar a vida do professor na cidade de Pombal-PB. O trio foi até a casa do professor Juvêncio, que se encontrava deitado lendo, quando Alpiniano pronunciou uma frase moralista: “Pombal precisa ser respeitada. Não é assim que se desmoraliza os homens.” Nisso, dispararam três tiros, deixando o professor sem condições de reagir. O Governo do Estado da Paraíba mandou o chefe de Polícia, Manoel Caldas Barreto, ir até a cidade de Pombal capturar os criminosos e punir os responsáveis pela morte do benemérito professor Juvêncio, amigo e admirado do governador. Essa foi a causa principal da fuga do coronel João Dantas para o sítio Patu de Fora. Tudo conforme o escritor Raimundo Nonato narra em seu livro “O Cangaceiro Romântico” e relatado no livro História do Município de Patu, do historiador Petronilo Hemetério Filho.
O atual proprietário do sítio Patu de Fora, no município de Patu, senhor Alfredo Alves Leite, diz que a casa do coronel João Dantas encontra-se atualmente em ruína. Sempre que alguém visita o sítio, Alfredo Leite fala com emoção das histórias do coronel e do cangaceiro Jesuíno Brilhante, repassadas de geração para geração. Segundo informações de Alfredo Leite, relatadas no livro História do Município de Patu, que ouviu o seu avô contar a história da grande intimidade de Jesuíno Brilhante com o coronel João Dantas, dizendo que eles almoçavam juntos e às vezes passavam dias na casa um do outro. Certa vez, Jesuíno vinha com o coronel João Dantas, mas nesse dia houve um conflito de palavras, chegaram a se desentender e tiveram uma conversa reservada dentro de um quarto escuro da fortaleza do coronel, não sendo revelado o teor da discussão entre os dois. A mesma fonte informou que quando Jesuíno saiu, foi emboscado na cajazeira da beira da estrada, pouco mais de um quilômetro de distância. Desse dia em diante, de bons amigos passaram a ser inimigos, um procurando eliminar o outro. A conversa no quarto reservado suspeita-se que tenha sido para tratar da morte do professor Juvêncio da Costa Volpis Alba. Após a morte do coronel João Dantas, a velha casa tornou-se mal-assombrada, e ninguém conseguiu morar lá. Conta-se que era pavoroso permanecer no recinto por algum tempo, pois saía com temor por tanta coisa esquisita que acontecia na casa por exemplo, objetos que caiam nas suas dependências sem nenhuma explicação.
 O senhor Alfredo Leite diz que possui uma lembrança que pertenceu ao Coronel João Dantas, uma aliança de ouro que foi passada de geração para geração e hoje se encontra com ele. Outro objeto histórico que pertenceu ao Coronel João Dantas é uma chave da sua casa do sítio Patu de Fora. Essa peça museológica foi doada pelo escritor Emanoel Cândido do Amaral ao município de Patu no ano de 2009, na gestão da prefeita Evilásia Gildênia. Essa peça se encontra no Museu Padre Brilhante que fica localizado na Praça José Pereira de Queiroz, na antiga estação ferroviária de Patu. As pessoas que visitam as ruínas da casa do Coronel João Dantas, no sítio Pau de Fora,  ao chegar lá, sente tristeza e arrepios pois o cenário é bastante temeroso, fato comprovado pelo professor Aluísio Dutra de Oliveira quando esteve lá para produzir fotos e conversar com o atual proprietário, Alfredo Leite. Um pedação da história de Patu se encontra em ruínas no Sítio Patu de Fora onde essa casa poderia ser restaurada através de parcerias público- privadas visando preservar a rica história que o município de Patu possui.

Reportagem de Aluísio Dutra de Oliveira e Jotta Paiva (Jornal de Fato).
Fonte: Livro O Cangaceiro Romântico. Autor: Raimundo Nonato.
Livro: História do Município de Patu. Autor: Petronilo Hemetério Filho.
Colaborador: Alfredo Leite.


Fotos: Aluísio Dutra de Oliveira e Google Imagens.

Em 2009 a prefeita Evilásia Gildênia recebeu do escritor Emanoel Cândido do Amaral a doação ao município de Patu da chave da fortaleza do Coronel João Dantas. 

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