sábado, 8 de agosto de 2015

Recordando Matérias Especiais da Folha Patuense

A Ciganinha Benzedeira

Fatos Marcantes da História de Patu
Gigi a Ciganinha

O Blog da Folha Patuense pesquisou e vai mostrar um pouco de uma história que aconteceu na cidade de Patu na década de 70. Talvez hoje muitos jovens desconheçam esta passagem que passaremos a relatar.
No ano de 1978 uma garotinha de apenas três anos de idade começou a rezar e fazer curas em pessoas da cidade de Patu e em pouco tempo de outras localidades do Brasil.  Trata-se da história de Gisliane Lopes de Oliveira, conhecida por "Gigi", filha do casal de ciganos Bobô e Lindalva que entregaram a menina para o casal Antônio Lopes da Silva, conhecido como "Antônio da Jossa" e Dona Benedita Lopes de Oliveira, hoje residente na cidade de Angra dos Reis-RJ, para criar a garotinha. Segundo o senhor Antônio da Jossa a história de cura começou quando a menina rezou no policial militar Soares de um problema na perna e ele ficou bom. A notícia se espalhou e em pouco tempo milhares de pessoas procuravam a menina na residência dos pais adotivos, rua Tenente Luís Pinheiro, bairro do Quartel.
Local onde a menina residia no ano de 1978. Hoje residência de Dalcileno
Com as constantes procuras de pessoas para curas, a cidade de Patu mudou a sua rotina. As ruas próximas à residência da menina benzedeira, conhecida também como "Ciganinha" virou um grande mercado ambulante onde se vendia de tudo. Os poucos hotéis da cidade ficavam lotados e as residências localizadas próximo à casa da menina servia de pousada. A menina começava o seu trabalho de cura a partir das 07:00 horas da manhã e terminava a noite, utilizando uns galhos de uma planta chamada "Manjerioba" e uma imagem do Menino Jesus de Praga.
Rua Tenente Luís Pinheiro palco de um grande mercado ambulante onde milhares de pessoas circulavam
As pessoas que se lembram dos fatos acorridos naquela época relatam que várias curas aconteceram, cegos enxergaram, aleijados andaram, doenças graves foram curadas e assim por diante. Uma história que ficou marcada foi a cura de um grande empresário cearense que tinha problema de visão, dono da Fábrica de Bolachas Fortaleza, conhecido por "Ocivan". O empresário veio de avião que baixou no campo de pouso da Fazenda Lajes do Coronel Oliveira Rocha e a menina curou o problema dele que ofereceu de presente a mesma uma televisão, objeto de consumo muito escasso naquela época onde poucos tinham acesso a este bem.   
Planta Manjerioba utilizada nas curas da Ciganinha
 Manjerioba
Da família das Fabaceae.
Também conhecida como alcapulco, fedegosão, mangerioba-do-pará, mangerioba-grande, mata-pasto-grande, dartrial; candle bush; candelabra bush, roman candle tree, emperor's candlesticks, ringworm bush (Austrália).

Menino Jesus de Praga - Santo da devoção da Ciganinha
Foto da Ciganinha aos quatro anos na Fazenda Lajes ao lado do Coronel Oliveira Rocha
A Opinião de Frei Damião
 Em certa ocasião o Frei Damião de Bozano visitou Patu na época das missões. Miguel Câmara Rocha aproveitou a oportunidade do frade na cidade e levou a garota para saber a opinião dele. Frei Damião disse que a menina não tinha nenhum poder de curar, apenas era uma menina inocente que não tinha consciência do que estava fazendo.

Comentários do Povo sobre o Cotidiano de Antônio da Jossa, pai adotivo da Ciganinha
Foto ilustrada de um veículo Dodje. Antônio da Jossa comprou um desses à vista
 Com as doações feitas pelas pessoas o seu Antônio da Jossa foi ficando "endinheirado" até que comprou um veículo muito caro, na época poucos tinham condições de possuir um Dodge, veículo longo que consumia muito combustível. Comentou-se também que ele chegou a lavar este carro com água mineral. Que ele chegava em certo bar da cidade e  mandava abrir um litro Whisky, pagava e tomava apenas uma dose e deixava o resto. Outros comentários davam conta que ele comprava cocadas e tapiocas dos garotos que vendiam e esbanjava, jogava fora, pisava sobre elas etc. Que fique bem claro que o senhor Antônio da Jossa não confirmou estes fatos ao Blog da Folha Patuense, segundo ele, são "invenções do povo de Patu".
O Fim da Galhinha dos Ovos de Ouro
 Antônio da Jossa. Foto: 08/01/2009
 Com as constantes doações das pessoas, muito dinheiro entrava no caixa da família e por causa disto os interesses aumentavam e os problemas na família também. Outro problema foi que os  pais legítimos da menina, ou seja, os ciganos Bobô e Lindalva, queriam a filha de volta. Segundo o senhor Antônio da Jossa o caso foi parar na justiça onde aconteceram várias discussões pois havia interesses financeiros em questão. Por causa destes problemas a credibilidade da menina foi caindo até que chegou ao fim a trajetória de cura da Ciganinha.
A Situação Hoje
 A senhora Gisliane Lopes "Gigi" a "Ciganinha" hoje reside no Conjunto Nova Patu, tem 35 anos, possui quatro filhos, sendo dois do primeiro relacionamento e dois do atual. Gigi falou ao Blog da Folha Patuense que não se lembra de nada, apenas sabe o que se comentam pelos mais velhos. "Vivo do meu trabalho para criar meus filhos, é um momento de minha vida que eu não gosto de comentar", diz Gigi.   
Gláucia, filha de Gigi,  pouco sabe da história de sua mâe

O senhor Antônio da Jossa, pai adotivo de Gigi, reside no bairro do quartel, rua José Antônio de Moura. Vive apenas de sua aposentadoria. "Hoje sou um homem doente" diz o senhor Antônio da Jossa.

OBS: O senhor Antônio da Jossa faleceu e foi sepultado tarde do dia  (21/05), no cemitério público local, o corpo do senhor conhecido por Antônio da Jossa, pessoa que ficou bastante conhecida em Patu nas décadas de setenta e oitenta na história da Santinha "Ciganinha" de Patu que o mesmo tinha como filha adotiva. Antônio da Jossa era um homem doente e faleceu em sua residência na bairro do quartel. 


E assim o Blog da Folha Patuense relatou um episódio histórico do passado Patuense para que as novas gerações tomem conhecimento dos acontecimentos marcantes da história popular de Patu.  

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