sábado, 16 de novembro de 2013

Reflexão: Texto de Geraldo Magela



Texto de Geraldo Magela, para reflexão

Ministro Barbosa, José Dirceu, José Genoino.

Exultada, a elite conservadora brasileira, comemora a prisão de dois representantes históricos, Dirceu e Genoino, das lutas contra a ditadura militar que dominou o Brasil de 1964 a 1985. E que com a juventude e a utopia própria dos que tem uma visão social ajudaram a organizar o partido político que encaminhou uma pauta de transformações no Brasil, na direção dos excluídos do processo civilizatório brasileiro: o Partido dos Trabalhadores - PT.

A condenação desses políticos tenta também levar a condenação da história dos que lutaram contra o autoritarismo, o exílio, os assassinatos de homens e mulheres de idéias que propugnavam pelas liberdades públicas, pela dignidade e pela cidadania, naquele período e na continuidade das suas vidas. Não compreendo em que este ato de prisão política eleva a autoridade do Ministro Barbosa. Não entendo em que a ferocidade do Ministro Barbosa em relação a esses condenados enaltece a Justiça brasileira. Não compreende em que atos moralistas desse tipo ajudem a corrigir as fraudes dos processos eleitorais no Brasil.

Mais, não entendo como a indignação da velha elite e seus áulicos, servos voluntários do poder político e econômico não a leva a lutar por uma reforma política que evite que um candidato apoiado por um empresário tenha 20 ou 30 vezes mais recursos numa campanha política do que aquele outro candidato que não tem esse apoio, esse fato distorce a representação parlamentar. Como hoje, dos 513 deputados federais, 432 representam os empresários do agronegócio, da indústria, das finanças, do comércio, enquanto que o povo conta com apenas 82 deputados. A questão da guerra moral é que ela não leva ao questionamento das estruturas que mantém uma sociedade e seu povo há séculos numa divisão de classes onde os trabalhadores e os pobres em geral, são penalizados, marginalizados. A moral de Barbosa e seus seguidores dá as costas para os fatos. A comprovação material dos atos. 

O Ministro Joaquim Barbosa, de origem pobre, afro-descendente não precisa fazer aquilo que a velha direita vem fazendo com competência há cinco séculos no Brasil: descriminar, excluir. Barbosa, nesse caso, é coptado por um pensamento conservador, tacanho, atrasado, mesquinho que tem agachado o nosso povo e amesquinhado o nosso processo de civilização. Gostaria de saber, como cidadão, de Barbosa e outros, qual o roubo de Dirceu e Genoino, quanto eles roubaram, o que fizeram com o dinheiro roubado? Ora, isso seria tão fácil de demonstrar, basta que se compare o patrimônio desses políticos com os salários recebidos por eles nesse tempo. Ou, em que paraíso fiscal eles foram depositar o dinheiro roubado. Até hoje não obtive essas respostas.

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